O PSDB aprovou na quinta-feira (6) a fusão com o Podemos, em movimento que marca mais um capítulo do encolhimento político do partido que já ocupou a Presidência da República por dois mandatos e protagonizou a política nacional por duas décadas. A decisão foi tomada por ampla maioria durante convenção nacional em Brasília: foram 201 votos favoráveis, dois contrários e duas abstenções.
A união ainda depende de aprovação do Podemos, mas a expectativa entre os tucanos é de que não haja resistência. Mesmo com o discurso de “fusão”, a operação tem contornos de incorporação. O PSDB já é federado com o Cidadania até 2026 e, tecnicamente, não poderia se fundir com outro partido sem o aval da federação. O processo, portanto, ainda envolve negociações jurídicas e políticas.
O presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, afirmou que a decisão da convenção é apenas o primeiro passo.
“Não há ainda definições sobre o nome, número ou comando da nova sigla. Vamos discutir tudo com cautela e ouvindo os filiados”, disse. A legenda, por ora, tenta manter o nome e a identidade tucana, mas nada está garantido.
Com apenas 13 deputados e 3 senadores atualmente, o PSDB corre o risco de não atingir a cláusula de barreira nas próximas eleições — o que poderia tirá-lo do acesso ao fundo partidário e à propaganda em rádio e TV. A fusão com o Podemos, que tem 15 deputados e 4 senadores, formaria uma bancada de 28 parlamentares na Câmara e 7 no Senado. A nova sigla passaria a ter direito a cerca de R$ 90 milhões de fundo partidário em 2025, a quinta maior fatia entre os partidos.