Fiéis da Romaria trocam Deus pela deusa Virgínia

A fé move montanhas, mas em Trindade parece ter sido desviada pelo algoritmo. No fim de semana, o que era para ser um momento de devoção ao Divino Pai Eterno virou palco para a veneração de uma nova entidade: Virginia Fonseca. Com 52 milhões de seguidores e uma vida cercada de likes, polêmicas e publicidade, a influenciadora virou o centro das atenções na Romaria mais tradicional de Goiás.
Acompanhada por uma multidão de fãs e romeiros deslumbrados, Virginia chegou ao santuário como se fosse a própria santa do século XXI — recebida com aplausos, selfies, bênçãos e cliques de celulares mais atentos ao Instagram do que à fé. Até o padre entrou no clima, estendendo-lhe uma bênção especial, talvez abençoando a audiência e os engajamentos.
Nada contra quem busca apoio espiritual nos momentos difíceis. A influenciadora passa por crises públicas, como o fim do casamento com Zé Felipe e a convocação para a CPI das Bets, onde foi questionada por promover jogos de azar. O problema não está em ela buscar consolo na fé, mas na transformação da Romaria em cenário de culto midiático, ofuscando o que deveria ser sagrado.
Enquanto isso, milhares de romeiros seguem a pé, em silêncio, pagando promessas ou agradecendo curas, longe das câmeras e dos holofotes. Mas esses não viralizam.
O culto à celebridade, neste caso, parece ter falado mais alto que o Pai Eterno.













