Prisão de Bolsonaro vai enterrar, de vez, sonho de Wilder de virar governador

Nos bastidores do PL goiano, o senador Wilder Morais garante que será candidato ao governo de Goiás em 2026. Mas uma possível prisão de Jair Bolsonaro pode sepultar esse projeto antes mesmo de ele sair do papel.
Wilder, que nunca foi conhecido por ter forte capital político ou base popular, depende quase exclusivamente da sombra do ex-presidente para manter alguma viabilidade eleitoral. Sem Bolsonaro no palanque — e, pior, com ele atrás das grades —, o discurso perde força, a militância esfria e a campanha tende a naufragar.
Com dificuldades em articulação política, o senador vive um isolamento estratégico. A candidatura foi acertada com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, mas sem um nome de peso puxando votos no estado, Wilder enfrenta um cenário desanimador. O PL saiu enfraquecido das últimas eleições municipais, com apenas 27 prefeituras em Goiás — contra 146 somadas de União Brasil e MDB, os dois grandes blocos da política local.
É bom sempre lembrar que o então deputado federal Major Vitor Hugo (PL), candidato ao Executivo estadual em 2022, que ficou na terceira colocação mesmo com o ex-presidente no palanque.
Mais grave ainda é a migração de prefeitos do PL para a base de Ronaldo Caiado (UB), que dá sustentação ao governador e ao seu sucessor, o vice-governador Daniel Vilela (MDB). É bom lembrar que a partir de abril do próximo ano Daniel passará a comandar o Governo, após renúncia de Caiado, que disputará a presidência da República.
Mesmo com dinheiro e mandato no Senado, Wilder não tem estrutura para montar uma chapa competitiva sozinho.
Aliado rompido com Marconi Perillo (PSDB), o senador rejeita qualquer reaproximação com o ex-governador, mas sabe que sem alianças de peso, o caminho até o Palácio das Esmeraldas fica íngreme. E Marconi, por sua vez, tem planos próprios para 2026 e não abre espaço para apadrinhar adversários.
Enquanto isso, Wilder repete que “a estratégia é trabalhar”, mas pouco se ouve falar de suas ações no Senado. Sem projeção nacional, sem palanque forte e sem a retaguarda bolsonarista, sua candidatura pode ser apenas uma formalidade protocolar — dessas que servem mais para marcar presença do que para disputar de fato.
Se Bolsonaro for condenado pelo STF no caso do 8 de janeiro, o impacto será direto: desmobilização da base, fragilidade na formação de chapa e narrativa desmontada. A verdade é que, para Wilder, sem o capitão, o caminho rumo ao governo de Goiás praticamente deixa de existir.













