Senador duas caras: Ciro Nogueira muda conforme o público

Senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira parece ter descoberto a fórmula da ubiquidade política: duas vidas, dois discursos, dois perfis no Instagram. No Piauí, veste a fantasia do representante fiel, exaltando o amor ao estado e jurando que sua prioridade é a reeleição ao Senado. Já no perfil nacional, assume o papel de articulador da direita, atacando o governo Lula e ensaiando alianças com figuras como Eduardo Bolsonaro e até a vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos), em caso de disputa ao Palácio do Planalto.
O problema é que, muitas vezes, os discursos se chocam. No mesmo domingo, na mesma entrevista, prometeu fidelidade ao Piauí em um perfil e, no outro, se lançou como peça nacional do tabuleiro presidencial. Depois, enquanto homenageava professores com “Aquarela” no feed regional, no nacional falava em não desperdiçar a “eleição já ganha” da direita.
Essa duplicidade não é apenas estratégia: é um retrato da política de conveniência. Para o eleitor do Piauí, o senador humilde e localista, longe da extrema-direita; para o Brasil, o opositor aguerrido e articulador de bastidores. No fim, sobra a sensação de que Ciro Nogueira não tem duas vidas — tem duas máscaras, e troca conforme a plateia















