Veja o que Bolsonaro fez 30 horas antes de ser preso; assista

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou na segunda-feira (4) a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL). A decisão se baseia em uma sequência de episódios ocorridos até 30 horas antes e que, segundo o magistrado, configuraram violação das medidas cautelares impostas ao ex-presidente em 18 de julho. Vídeo no final do texto
No fim de semana, Bolsonaro apareceu em chamadas de vídeo exibidas em telões e celulares durante atos de aliados em várias cidades, falou a manifestantes e teve sua imagem amplamente divulgada por familiares e políticos próximos. Para Moraes, isso mostra uma atuação coordenada para atacar o STF e tentar influenciar processos judiciais.
Fim de semana de recados
No sábado (2), em evento do PL Mulher em Marabá (PA), Michelle Bolsonaro chorou ao ouvir apoiadores e disse que o marido “gostaria de poder entrar no telão” do encontro — algo que se concretizaria no dia seguinte.
No domingo (3), durante manifestações em Belo Horizonte, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) apareceu em um telão, transmitindo de fora do país. Ele criticou o STF, falou em sanções contra Moraes na União Europeia e disse que, se estivesse no Brasil, “já estaria preso”.
Pouco depois, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) mostrou o ex-presidente em uma videochamada para a multidão. Bolsonaro não falou, mas acenou aos apoiadores. Em seguida, no ato de Copacabana, no Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez ligação semelhante, na qual o pai agradeceu e disse: “Sempre estaremos juntos”.
Em São Paulo, na Avenida Paulista, Eduardo e Nikolas repetiram o gesto, transmitindo novas falas de apoio e críticas a Moraes. O deputado mineiro chegou a chamar o ministro de “violador de direitos humanos” e pediu sua prisão.
Postagens e reações
Na mesma tarde, Carlos Bolsonaro (PL-RJ) publicou imagem do pai usando tornozeleira eletrônica e acompanhando imagens dos atos, pedindo que seguidores reforçassem a rede do ex-presidente. Para Moraes, a publicação demonstra ciência e desrespeito às restrições impostas.
O ministro considerou que Bolsonaro “produziu dolosa e conscientemente material pré-fabricado” para manter ataques à Corte. Flávio, por sua vez, apagou uma das postagens, o que Moraes interpretou como tentativa de ocultar a infração.
Público e política
Os atos superaram a expectativa de apoiadores, com cerca de 37 mil pessoas na Paulista, segundo estimativas. Nos bastidores, aliados viram demonstração de força, mesmo com a ausência de governadores de direita como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Ratinho Jr. (PR) e Ronaldo Caiado (GO).
No dia seguinte, Moraes assinou a decisão de prisão domiciliar, que entrou em vigor ainda na noite de segunda-feira. Bolsonaro segue proibido de usar redes sociais e de se comunicar com investigados nos inquéritos em que é réu.
















