Advogada goiana que "ganhava" R$ 9 mil por mês "recebe" R$ 11 milhões da JBS e J&F; entenda
No mesmo dia em que recebeu R$ 3,5 milhões, advogada de Goiânia repassou integralmente o valor a advogado ligado a Dias Toffoli, ampliando suspeitas sobre o destino do dinheiro

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acendeu o alerta para uma movimentação milionária considerada atípica: empresas do grupo dos irmãos Batista transferiram R$ 11,5 milhões, em poucos dias, para um pequeno escritório de advocacia em Goiânia, com histórico de baixo faturamento. Parte dos valores foi rapidamente redistribuída. Informações do Jornal Estadão.
As transações ocorreram em dezembro de 2023 e envolveram a JBS e a J&F, holding que controla a gigante do setor de proteína animal. Segundo o relatório, no dia 15, a JBS transferiu R$ 8 milhões para o escritório de advocacia registrado em Goiânia. Três dias depois, em 18 de dezembro, a J&F enviou mais R$ 3,5 milhões ao mesmo destino.
O que chamou a atenção dos órgãos de controle foi o perfil da empresa beneficiada. O escritório pertence à advogada Maisa de Maio Marciano e funciona em uma sala compartilhada no Setor Sul, oferecendo serviços como endereço fiscal e locação de espaços — um modelo comum para pequenos negócios, mas incompatível, segundo o Coaf, com o volume milionário recebido.
Os dados financeiros reforçam a suspeita: o escritório foi aberto em 2018 com capital social de apenas R$ 2 mil e patrimônio líquido declarado de R$ 83 mil. Até meados de 2022, o faturamento mensal informado girava em torno de R$ 9 mil.
No mesmo dia em que recebeu os R$ 3,5 milhões da J&F, a advogada transferiu exatamente esse valor ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa. Ele ganhou notoriedade ao adquirir, em 2025, a participação do ministro Dias Toffoli em um resort localizado no Paraná.
Já no caso dos R$ 8 milhões enviados pela JBS, parte significativa do dinheiro — R$ 6,9 milhões — foi repassada no mesmo dia ao BK Bank, uma fintech que já esteve na mira da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo por suspeitas de operar com mecanismos que dificultariam o rastreamento de recursos.
O alerta sobre as movimentações foi feito por uma agência do Sicoob em Goiânia, em fevereiro de 2024. No comunicado ao Coaf, a instituição destacou a ausência de documentação que justificasse as operações. Segundo o relatório, não foram apresentados elementos que comprovassem a origem ou a finalidade dos valores, o que indicaria alto risco de lavagem de dinheiro.
As transferências ocorreram em um momento sensível para o grupo empresarial. Na época, a J&F e a JBS estavam envolvidas em uma disputa judicial relevante relacionada à suspensão de uma multa bilionária, de R$ 10,3 bilhões, prevista em acordo de leniência firmado com o Ministério Público Federal.
OUTRO LADO
Em nota, JBS e J&F afirmaram que os valores pagos correspondem a serviços jurídicos efetivamente prestados, com emissão de notas fiscais e recolhimento de tributos. As empresas, no entanto, não detalharam quais serviços foram realizados nem esclareceram o destino final dos recursos movimentados.
O G5News entrou em contato com a advogada mencionada por telefone, mas as chamadas não foram atendidas, e também, por e-mail, e aguarda resposta aos questionamentos e posicionamento da profissional sobre o suposto envolvimento no caso narrado.
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