Advogada presa pelo delegado de Cocalzinho por post nas redes faz desabafo; assista
Detida e algemada dentro do próprio escritório, Áricka Cunha faz desabafo forte na tribuna da Câmara de Goiânia e diz que foi presa “por ter voz”

A advogada Áricka Cunha levou à tribuna da Câmara Municipal de Goiânia, nesta quinta-feira (23), um relato contundente sobre a própria prisão, ocorrida no último dia 15, em Cocalzinho de Goiás. Em discurso marcado por emoção e críticas diretas, ela afirmou ter sido alvo de abuso de autoridade após se manifestar nas redes sociais contra a atuação de um delegado da Polícia Civil.
Convidada pelo vereador Tião Peixoto (PSDB), Áricka usou a tribuna livre para reconstruir, em ordem cronológica, os fatos que culminaram na detenção.
“Foi justamente por causa da minha voz que estou aqui hoje, porque fui presa por me manifestar”, declarou. Segundo ela, a prisão ocorreu dentro de seu escritório de advocacia, onde foi algemada após publicar críticas relacionadas a um despacho de arquivamento policial.
A advogada contou que o episódio começou após sua atuação em um movimento popular por melhorias na infraestrutura de Cocalzinho de Goiás. Ela afirma ter organizado um manifesto que reuniu centenas de assinaturas e mobilizou órgãos como o Ministério Público. Depois disso, passou a ser alvo de ataques nas redes sociais.
“Fui chamada de ‘loura idiota, sabe de nada’”, relatou. Ao procurar a delegacia para registrar ocorrência, disse que o caso foi arquivado sob justificativa de “fato atípico” e falta de efetivo.
Inconformada, Áricka publicou o despacho em rede social, reproduzindo trechos do documento e fazendo críticas gerais ao sistema. Mesmo sem citar nominalmente o delegado, segundo sua versão, a publicação motivou a reação da autoridade policial. Ela acabou presa em flagrante por difamação, em ação conduzida pelo próprio delegado no local de trabalho.
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Imagens da prisão circularam nas redes sociais e ampliaram a repercussão do caso. Após ser levada à delegacia, a advogada permaneceu detida até a noite do mesmo dia, sendo liberada por volta das 22h mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil.
O episódio mobilizou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio da subseção de Pirenópolis, que acompanhou a ocorrência e manifestou preocupação com possíveis violações às prerrogativas da advocacia. O caso também reacendeu o debate sobre os limites da atuação policial e a liberdade de expressão.
Na Câmara, após o desabafo, vereadores manifestaram apoio à advogada. Tião Peixoto e outros parlamentares prestaram solidariedade e defenderam a apuração rigorosa dos fatos. A fala de Áricka, marcada por críticas e apelo por justiça, transformou a sessão em um novo capítulo de um caso que segue gerando forte repercussão jurídica e política em Goiás.
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