Crianças mandam cartas para passar Natal com o pai e juiz goiano concede soltura
O comerciante estava preso há cinco anos por suspeita de tentativa de homicídio. Além das cartas, o magistrado recebeu abaixo assinado dos moradores pedindo pela liberdade do acusado.

Duas irmãs de 13 e 4 anos enviaram cartas à Justiça de Posse (cidade a 515 km de Goiânia, pedindo que o pai, um comerciante de 34 anos, nome não divulgado, fosse solto para que pudessem passar o Natal junto à família.
Ao ler os pedidos, o juiz Denis Bonfim autorizou a soltura do homem no último sábado (17).
Ele estava preso há cinco anos por tentativa de homicídio.O magistrado publicou uma das cartas nas redes sociais e o assunto ganhou muita repercussão.
“Esse foi o melhor Habeas Corpus que já recebi!! Eu sempre digo que não precisa escrever muito!! Prometo que irei olhar com toda atenção e critério com que vejo todos os outros”, escreveu na publicação.
O comerciante é dono de uma distribuidora de bebidas e foi acusado de tentar matar um homem a tiros por causa de uma dívida de R$ 600.
Ele nega o crime e o juiz afirma que não existem elementos suficientes que comprovem a autoria do delito e que cabe recurso. Assim, como ele foi solto, a decisão não haverá julgamento pelo júri popular.
O homem aguarda o pronunciamento do Ministério Público que será feito somente depois do período de recesso.
O responsável por entregar as cartas ao juiz foi o advogado de defesa Leonardo Magalhães Valente.
Segundo o magistrado os trechos que mais o emocionaram foram: “Meu pai é bom” e “quando ela escreveu ‘Deus te proteja’, isso me tocou especialmente, porque naquele momento ela estava desamparada e desprotegida precisando do seu provedor. Imaginei comigo: não posso protegê-la, mas talvez eu possa devolver a ela alguém capaz de fazer isso”, afirmou.
Em outra carta, a filha mais velha alega que depois da prisão do pai passou a ter crises de ansiedade e insônia.Ao todo, ele recebeu quatro cartas, duas pedindo a soltura do pai e duas agradecendo pela liberdade do pai.
Prisão
O homem está preso desde 21 julho e além das duas filhas, a esposa e mais dois outros filhos ficaram sem o amparo dele. Nesse período ele passou três aniversários dos filhos na cadeia.
Além das cartas escritas pelas filhas, outro ponto que ajudou na liberdade do proprietário da distribuidora foi um abaixo assinado que os moradores da cidade fizeram.
Um ponto forte também as declarações contraditórias que a suposta vítima fez.
Ao delegado do caso, ela relatou que o comerciante foi até a casa dela e tentou matá-la. Já à Justiça, ela alegou que ouviu um entregador chamando do lado de fora da casa e o portão se abrindo. Foi quando sentiu os dois disparos nas costas.
Ainda, segundo ele ouviu o empresário gritar “paga meu dinheiro” e mesmo com os ferimentos conseguiu pegar o dinheiro na carteira e entregar ao “acusado”.
Já a defesa do comerciante sustenta a tese de que ele saiu na noite do ocorrido, mas que foi ajudar a vacinar o gado de um amigo que mora na região.

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