Enquanto Unimed corta terapias de crianças autistas, presidente é alvo de representação por mega-salários e acúmulo de cargos
Médico Washington Rios é alvo de representação por lesar os cofres públicos enquanto cooperativa é alvo do Procon e do Ministério Público por abandonar pacientes neurodivergentes.

Uma representação que chegou ao Ministério Público Federal (MPF) escancara uma grave injustiça na saúde em Goiânia. De um lado, mães e pais de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) travam uma batalha na Justiça para que a Unimed não corte os tratamentos essenciais de seus filhos. Do outro, o homem que comanda a operadora vive uma realidade de acúmulo de cargos de alto escalão e suspeita de prejuízo aos cofres públicos.
Documentos obtidos com exclusividade pelo G5News revelam que o médico Washington Luiz Ferreira Rios, atual presidente do Conselho de Administração da Unimed Goiânia e vice-presidente da Unimed Federação Centro-Brasileira, foi representado por ocupar cargos públicos e privados ao mesmo tempo, gerando um claro conflito de interesses.
Além de chefiar a Unimed Goiânia, o médico é o superintendente do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), gerido pela estatal Ebserh, onde fatura mais de R$ 30 mil mensais. Esse é o cargo máximo da instituição pública e exige dedicação integral.
O nó da lei e o bolso do cidadão
A legislação brasileira (Estatuto dos Servidores Públicos Federais) proíbe expressamente que um servidor com cargo de confiança administre uma empresa privada. Por receber o salário integral do hospital público federal enquanto gasta seu tempo comandando o maior plano de saúde privado do estado, o dirigente pode ser enquadrado no crime de estelionato majorado por causar prejuízo aos cofres públicos.
A representação aponta outro ponto perigoso: como chefe do Hospital das Clínicas, o médico tem acesso livre a dados estratégicos do SUS, como a regulação de leitos e a capacidade da rede pública. Guardar essas informações sigilosas enquanto se comanda a maior concorrente privada da região cria uma vantagem comercial desleal para a Unimed.
O drama das famílias autistas
Enquanto o topo da diretoria expande sua influência e acumula salários, a base de clientes da Unimed Goiânia sofre com cortes agressivos.
Entre 2025 e 2026, a operadora virou alvo do Procon Goiás e do Ministério Público do Estado (MPGO) após descredenciar clínicas especializadas e reduzir drasticamente as horas de terapias (como fonoaudiologia e psicologia) de crianças neurodivergentes. O plano de saúde utilizava uma junta médica própria para emitir pareceres padronizados e derrubar as ordens dos médicos que acompanhavam os pacientes.
Em junho de 2026, a Justiça de Goiás precisou intervir em caráter de urgência para obrigar a Unimed a manter o tratamento integral de uma criança no Instituto Kids Centro de Reabilitação, clínica que havia sido cortada pelo plano. O magistrado do caso alertou para o risco real de regressão no desenvolvimento do menor.

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A informação foi confirmada por sua filha, Fátima Cardoso, e comunicada oficialmente nas redes sociais.

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