Fim da escala 6x1 vira bomba econômica, dizem empresários goianos; até 630 mil empregos em risco
Fórum das Entidades Empresariais de Goiás fala em perda de empregos, alta de preços e impacto pesado na economia

A proposta que pode acabar com a tradicional escala de trabalho 6×1 já está dando o que falar — e forte. Em Goiás, o Fórum das Entidades Empresariais (FEE-GO) subiu o tom e alertou para uma possível “onda de impactos” que pode atingir desde o emprego até o preço das coisas no dia a dia.
O assunto esquentou de vez nesta quarta-feira (22), quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da PEC que trata da mudança na jornada de trabalho. Na prática, isso significa que o texto passou na primeira barreira e agora segue para uma comissão especial, onde o conteúdo será debatido de verdade.
Enquanto isso, o setor produtivo já demonstra preocupação. O FEE-GO afirma que se baseia em estudos de entidades como a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a Confederação Nacional da Indústria e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil para sustentar suas críticas.
De acordo com o fórum, o cenário pode ser pesado: há estimativa de redução de até 630 mil empregos formais, principalmente em áreas que mais empregam. Além disso, o custo com trabalhadores pode disparar, chegando a até R$ 267 bilhões por ano.
E o efeito pode ir além das empresas. Projeções citadas, como as do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, apontam que a economia pode encolher, com impacto no PIB que pode chegar a dois dígitos em situações mais críticas. Quem pode sentir mais? Trabalhadores com menor qualificação, que teriam mais dificuldade para se recolocar.
No bolso, o impacto também preocupa. Com aumento de até 7% na folha de pagamento, empresas podem frear contratações, reduzir horas extras e até cortar benefícios. Resultado: menos dinheiro circulando e perda no poder de compra das famílias.
Setores importantes como comércio, serviços e agropecuária também entram na lista de possíveis prejudicados, com perdas bilionárias e aumento nos custos de produção. Esse aumento pode chegar ao consumidor, com estimativa de alta de preços de até 13%, pressionando a inflação e dificultando a queda dos juros.
Na construção civil, o alerta segue o mesmo caminho. Estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção indica que o custo das obras pode subir e a oferta de imóveis pode cair — o que complica ainda mais para quem sonha com a casa própria.
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Diante disso, o FEE-GO defende que o tema seja discutido com mais calma e só volte à pauta no próximo ano, longe do clima eleitoral.
No Congresso, porém, o debate segue acelerado. A proposta reúne ideias diferentes: uma sugere jornada de quatro dias por semana em até 360 dias; outra prevê redução para 36 horas semanais ao longo de até dez anos. Além disso, o governo federal também entrou na discussão com um projeto que limita a jornada a 40 horas semanais e garante dois dias de descanso.
Hoje, a regra é clara: até 44 horas por semana. Mas, com a PEC avançando, o futuro da jornada de trabalho no Brasil está em aberto — e promete uma disputa intensa nos próximos capítulos.

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