Goiano deportado dos EUA relata caos durante volta para casa: "Fiquei com medo o tempo todo"
Natural de Rubiataba, Kaleb Barbosa narra tensão e indignação em repatriação dos EUA após a posse de Donald Trump

Kaleb Barbosa, natural de Rubiataba, Goiás, viveu uma experiência aterrorizante ao ser repatriado dos Estados Unidos. Ele, juntamente com outros 87 brasileiros, esteve a bordo do primeiro voo de deportação enviado após a posse de Donald Trump, presidente dos EUA. O voo, que deveria pousar em Belo Horizonte na última sexta-feira (24), teve que fazer uma parada emergencial em Manaus devido a falhas mecânicas na aeronave, que também estava em condições precárias.
De acordo com o relato de Kaleb, a viagem foi marcada por uma série de problemas que levaram a uma trajetória ainda mais difícil para os repatriados.
“O avião estava em condições péssimas, sem ar condicionado, e circunstâncias que pararam no Panamá para que o mecânico tentasse resolver a situação”, contou. Segundo ele, a tripulação, incapaz de solucionar problemas, não deu atenção ao pedido dos migrantes por ajuda, fazendo com que os passageiros tomassem uma atitude drástica. "O ar condicionado parou, o avião estava com um cheiro insuportável e não estava funcionando direito. Estava desesperado", relatou Kaleb.
O momento de tensão foi ainda mais intenso quando, diante do desespero, Kaleb e outros deportados abriram uma porta de emergência para pedir socorro.
"Fomos para abrir a porta e pedir ajuda. Ninguém parecia se importar com a nossa segurança, estava saindo fumaça da turbina em Manaus, e eles queriam continuar a viagem. Se o avião seguisse viagem sem a ajuda adequada, teríamos morrido", disse Kaleb, relembrando o susto.
Após a aterrissagem em Manaus, as autoridades brasileiras intervieram. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, determinou que as algemas fossem retiradas dos deportados e embarcassem em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para completar a viagem até Belo Horizonte. Na capital mineira, os 84 repatriados finalmente chegaram a salvo, mas o episódio deixou marcas na memória de Kaleb.
"Foi uma viagem muito difícil. Fiquei com medo o tempo todo. Eu nunca imaginei que passaria por algo assim. A prisão era desumana. A comida era péssima, o atendimento médico inexistia, e a maneira como fomos tratados foi degradante", lamentou.
Natural de Rubiataba, Kaleb morava nos Estados Unidos há seis anos, onde trabalhava com “limpeza de casas” em Kirkland, Washington. Ao ser repatriado, ele deixou para trás sua casa e um carro. “Levei apenas o que coube em um saco – uma coberta, toalha e alguns livros”, revelou.
O Itamaraty, por sua vez, se posicionou sobre o episódio e anunciou que solicitou ao governo de Donald Trump sobre as condições do voo e o tratamento recebido pelos brasileiros. Diversos deportados relatando abusos e ameaças por parte dos agentes de imigração dos Estados Unidos, além de ficar até 50 horas algemados, sem ar-condicionado e em condições desumanas durante o voo.
A repercussão internacional do incidente gerou indignação. O caso ganhou destaque nas redes sociais, com muitos usuários e políticos criticando a forma como os migrantes foram tratados. O ministro Lewandowski declarou que a situação configurava um “desrespeito flagrante aos direitos humanos”, e o governo brasileiro, por meio da PF, agiu prontamente para retirar as almas dos repatriados.
Além disso, a tensão internacional aumentou quando o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, se decidiu a receber deportados americanos, citando os abusos contra os migrantes brasileiros. Petro afirmou que não permitirá mais voos de deportação de cidadãos colombianos em aviões militares dos Estados Unidos. “Um migrante não é um criminoso e deve ser tratado com dignidade”, declarou Petro em suas redes sociais.
O caso também gerou uma ocorrência do presidente Donald Trump, que impôs avaliações econômicas e diplomáticas contra a Colômbia. Trump alegou que a recusa de Bogotá em receber os deportados colocava em risco a segurança nacional dos Estados Unidos, acirrando ainda mais a crise diplomática.
Kaleb, por sua vez, não tem planos de retornar aos Estados Unidos. “Já deu o que tinha de dar”, afirmou, refletindo sobre as dificuldades que aconteceram durante e após sua deportação.

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