Médico que recusou atender delegado com prioridade diz que prisão foi "excesso e abuso"
Segundo o delegado Alex Rodrigues da Silva a prisão foi decorrente ao flagrante de exercício ilegal da profissão, mas segundo o CRM o médico atua pelo "Mais Médicos" e não precisa de registro.

O médico Fábio Marlon Martins França, que foi preso após, supostamente, recusar dar prioridade no atendimento do delegado Alex Rodrigues da Silva, na Unidade Básica de Saúde (UBS) de Cavalcante (512 km da Capital), onde foi diagnosticado com covid, disse que se sentiu humilhado e constrangido com a prisão e que a situação teria sido "excesso" e "abuso".
O profissional está atualmente cumprindo quarentena em um hotel, já que teve contato direto com o delegado, infectado pelo coronavírus, e deve fazer teste nos próximos dias.
Fábio França foi detido na última quinta-feira (27) e encaminhado ao presídio de Alto Paraíso, a cerca de 88 km de Cavalcante. Ele passou por audiência de custódia na sexta-feira (28) e foi liberado. O juiz Fernando Oliveira Samuel constatou que não há razões legais para a prisão e que o delegado teria "abusado de suas funções públicas".
A Polícia Civil alegou, em nota, que o profissional foi preso por exercício ilegal da profissão, desacato, resistência, desobediência, ameaça e lesão corporal. Ainda segundo o comunicado, a polícia constatou que "o registro do médico junto ao Conselho Regional de Medicina de Goiás está cancelado".
O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) informou, em nota, que o profissional, de fato, não é inscrito no órgão, mas tem autorização para trabalhar como médico em Goiás, já que atua através do Programa Mais Médicos, do Governo Federal, "o que dispensa inscrição em qualquer Conselho Regional de Medicina do País".
Após ser liberado, o médico se pronunciou sobre o caso e disse que não vai aceitar "jamais" situações como essa, já que havia outros pacientes que estavam no local aguardando para serem atendidos. Ao g1, ele disse que pensou em se mudar logo após sair do presídio, mas, com o apoio dos moradores, decidiu permanecer na cidade "e manter a compostura".
O profissional contou com a solidariedade do prefeito de Cavalcante, Vilmar Kalunga (PSB), da secretária Municipal de Saúde, Gesselia Batista Fernandes, e de moradores do município, que se mobilizaram em protestos contra a prisão do médico.
O caso é investigado pela Corregedoria da Polícia Civil.
Leia mais
Médico preso por exercício ilegal da profissão teria negado atendimento prioritário a delegado
Relembre o caso
De acordo com a ocorrência, o delegado teria feito, nessa quarta-feira (26), um teste rápido para Covid-19 na UBS, onde trabalha Fábio França. Ao receber o resultado positivo, o policial teria exigido atendimento prioritário, mas o médico negou a solicitação alegando que já estava em atendimento com outro paciente.
O investigador, então, teria ido embora e retornado na quinta-feira (27) com outros dois policiais, momento em que prendeu o médico.
Testemunha, não identificada, disse, à TV Anhanguera, que o médico foi preso ainda dentro do consultório e saiu algemado da unidade de saúde.
A secretária de Saúde de Cavalcante, Gesselia Batista Fernandes, disse, à TV Anhanguera, que ficou surpresa com a detenção do médico, já que nunca teve reclamações sobre ele durante seus cinco anos de trabalho no hospital. "Essa prisão nos chocou muito".

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