Mensalidades de vans escolares dobram e assustam mães na volta às aulas
Após um ano e meio sem usar o serviço, muitos pais e mães de alunos foram surpreendidos com o aumento dos preços

O dia a dia de Ludmila Carvalho, de 33 anos, vai mudar com a volta às aulas nas escolas municipais e estaduais de Goiás, prevista para agosto. Antes do fechamento total das atividades, em 16 de março do ano passado, a auxiliar administrativa pagava transporte escolar para a filha, Ana Gabrielle, de 10, ir à Escola Municipal Antônio Fidelis, no Parque Amazônia, em Goiânia. Distante 1,6 km de sua casa, no Setor dos Afonsos, em Aparecida, Ludmila desembolsava R$ 160 mensalmente. O valor praticamente dobrou, pulando para R$ 300.
A dificuldade financeira cancelou a ideia de contratar um transporte. O salário de cerca de R$ 1,5 mil para sustentar a casa onde mora com a filha e a mãe, Alba Valéria, 60, que está desempregada, não é o suficiente para mais despesas.
Agora, Ludmila traça outros planos para o retorno das aulas. O mais viável, conforme ela, é ir a pé com a filha à escola. Saindo às 6h20 de sua residência, deve chegar no horário da aula, às 7 horas. Mas como trabalha o dia todo, não consegue buscar a filha. Por isso, o trabalho ficou a cargo da avó Alba.
A realidade é a mesma para Genesi Neves, 42. Mas, para ela, não restam outras opções. O trabalho autônomo como manicure não lhe dá opções de levar nem tampouco buscar a filha Luana, de 10. Enquanto pensa em outras opções, tenta encontrar algum valor que caiba no bolso, fazendo orçamentos com diferentes profissionais. No entanto, a mensalidade mais barata que conseguiu encontrar foi de R$ 300. Ela ainda fica indignada com um valor superior de R$ 350. “Um absurdo, preço de uma escola particular”, reclama.
O aumento é motivado pelos altos gastos que os motoristas terão para voltar às ruas, explica Adilson Humberto de Lelis, presidente do Sindicato do Transporte Escolar Autônomo (Sindescolar). Antes do retorno, os veículos passam por vistoria e revisão. A documentação também deve ser adequada. “Para isso, é preciso que os carros estejam segurados”.
Entra na conta ainda as obrigações veiculares no Inmetro, que ficam em torno de R$ 1 mil. “Há um custo muito grande e a turma está desprovida de dinheiro, já que ficou parada mais de um ano”, afirma Adilson.
Durante a pandemia, os motoristas se reinventaram. Trabalhando no transporte há 20 anos, Ualas Garcia, de 50, passou a trabalhar com bicos de pintura de casa, que já havia trabalhado antes.
Para ele, o preço teve que subir porque tudo ficou mais caro. “Não tem como a gente voltar a trabalhar com o mesmo preço de antes da pandemia. Tudo aumentou, então a gente tem que aumentar”, explica. E o trabalho dele só deve voltar caso haja demanda de, no mínimo, 20 estudantes pagando R$ 350 mensais. “Se tiver pouco aluno, nem compensa sair”.
Mas, para manter as contas pagas, o motorista Ualas anuncia: “Eu faço qualquer coisa”. Enquanto isso, sua van segue parada no estacionamento de casa, sem uso, esperando o momento de retornar às ruas. E, encontrar pais e mães dispostos a desembolsar o dobro.

Goiás prorroga feirão de renegociação de ICMS, IPVA e ITCD com descontos de até 99% em juros e multas
A medida beneficia tanto pessoas físicas quanto jurídicas que possuem débitos tributários gerados no estado.

Motorista foge após causar capotamento na GO-330, é pego bêbado pela PM mas acaba solto na Justiça
Um carro branco em alta velocidade atingiu a traseira de um veículo preto, que capotou e parou no canteiro da rodovia. Câmeras de segurança registraram o momento da colisão.













