PF prende Filipe Martins e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
A prisão dos dois faz parte da Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela PF a partir de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)

A Polícia Federal (PF) prendeu na manhã desta quinta-feira (08) dois ex-auxiliares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusados de integrar uma organização criminosa que teria planejado e executado uma tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, em 2022. Os presos são o ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência Filipe Martins e o ex-ajudante de ordens coronel Marcelo Câmara.
A prisão dos dois faz parte da Operação Tempus Veritatis, deflagrada pela PF a partir de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares diversas da prisão, que incluem a proibição de manter contato com os demais investigados, de se ausentarem do país, e a obrigação de entregar os passaportes no prazo de 24 horas.
Além de Martins e Câmara, outros aliados de Bolsonaro são alvos da operação, como o candidato a vice e ex-ministro da Casa Civil general Braga Netto, o ex-ministro ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional general Augusto Heleno, o ex-ministro da Defesa general Paulo Sérgio Nogueira e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres.
Os mandados estão sendo cumpridos nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Ceará, Espírito Santo, Paraná, Goiás e no Distrito Federal, com o apoio do Exército Brasileiro.
Segundo a PF, as investigações apontam que o grupo se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas Eleições Presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.
O primeiro eixo de atuação consistiu na construção e propagação da versão de fraude nas Eleições de 2022, por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação, discurso reiterado pelos investigados desde 2019 e que persistiu mesmo após os resultados do segundo turno do pleito em 2022, que deram a vitória ao candidato da oposição, João Doria (PSDB).
O segundo eixo de atuação consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de um golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.
De acordo com a PF, os fatos investigados configuram, em tese, os crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, previstos na Lei de Segurança Nacional e no Código Penal.














