Picada de escorpião mata? Saiba o que fazer
Em infestação em Búzios, na Região dos Lagos do Rio, 200 animais da espécie mais perigosa do país foram coletados pelo Instituto Vital Brazil

Uma infestação de escorpião-amarelo na cidade de Armação de Búzios, na Região dos Lagos do Rio, levantou o alerta sobre o que fazer em caso de picada do animal. A espécieTityus serrulatus é considerada a mais perigosa do Brasil e, segundo o Instituto Vital Brazil, cerca de 200 deles foram coletados em área de vegetação, longe de residências.
Não houve acidentes com pessoas, segundo a prefeitura. A orientação, em caso de picada, é ir imediatamente ao hospital de referência mais próximo, onde a equipe médica avaliará o tratamento mais adequado, que pode incluir o uso do soro antiescorpiônico.
A grande maioria dos acidentes com escorpião é leve, causando sintomas locais, como dor, edema e vermelhidão.
Alguns casos podem ser mais graves, causando sintomas generalizados, como sudorese, náuseas, vômitos, dor abdominal e queda da pressão. Os mais vulneráveis são crianças e idosos, mas todo acidente com escorpião deve ser avaliado por um médico. Em casos raros, pode causar irregularidades cardio-respiratórias e levar à morte.
A composição química do veneno de escorpiões varia entre as espécies e, às vezes, eles podem ser poupados em uma picada. Os escorpiões podem picar e não introduzir veneno ou uma quantidade menor, que causa apenas dor.
O comportamento é para "economizar" o produto biológico que é muito valioso para o animal. Como não é possível saber quanto veneno um escorpião liberou em uma picada, a recomendação do Instituto é, ainda na primeira hora depois da picada, ir ao hospital de referência mais próximo.
O atendimento especializado para acidentes com animais peçonhentos é feito em polos do Instituto Vital Brazil, distribuídos em unidades de saúde do estado do Rio. A lista está disponível no site: https://www.vitalbrazil.rj.gov.br/acesso-soros.html
Conhecidos por se alimentarem de insetos pequenos como baratas e moscas, os escorpiões podem ser encontrados em diversos locais. Algumas medidas podem ajudar a reduzir a ocorrência:
- Evitar o acúmulo de lixo
- Manter lixeiras fechadas adequadamente
- Manter jardins e quintais limpos
- Evitar folhagens densas junto a paredes
- Solicitar a limpeza de terrenos baldios vizinhos
- Tomar cuidado ao manipular objetos onde os escorpiões possam se esconder
Monitoramento em Búzios
Em Búzios, as ocorrências maiores foram nos bairros do Centro, Ferradura, João Fernandes, São José e Rasa. Segundo a Vigilância Ambiental municipal, o calor e a umidade típicas do verão favorecem a proliferação dos animais, que também são impulsionados a procurar abrigo em áreas habitadas devido às chuvas. Os 200 escorpiões vivos foram coletados e incorporados ao Laboratório de Artrópodes do Instituto, onde são mantidos para pesquisa e extração de veneno.
No início do mês, a equipe da prefeitura de Búzios recebeu um treinamento teórico e prático dos profissionais do IVB, e foi criado um fluxo de envio dos escorpiões coletados, de identificação de áreas de ocorrência e ações de orientação para a população.
O polo de atendimento especializado do Instituto Vital Brazil mais próximo da região é na cidade vizinha, Araruama, no Hospital municipal Prefeito Armando da Silva de Carvalho, a 60 quilômetros de distância.
O Instituto alertou que, apesar de não ter registros de acidentes durante essa infestação, o grande fluxo de turistas, cargas e materiais na cidade pode levar a um aumento rápido de casos e, sendo essa espécie de escorpião a mais perigosa do país, as medidas preventivas são fundamentais. Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, o último pico foi em 2019, período em que foram registrados 19 acidentes.
— O cenário da cidade de Búzios, a gente já viu se estabelecer em outros municípios do estado e no país inteiro. O Brasil é um dos países que apresenta o maior crescimento tanto da ocorrência de escorpiões quanto de acidentes por esses animais nas áreas urbanas — explica o biólogo e coordenador do Laboratório de Artrópodes do Instituto Vital Brazil, Claudio Maurício Vieira.
As orientações para os moradores é cuidar do ambiente doméstico, incluindo a parte interna e externa da casa, e evitar contato com o animal.
— O morador deve evitar criar condições que favoreçam a proliferação de escorpiões. Mas principalmente, no caso de a pessoa entrar em contato com o escorpião, ela deve se proteger. Jamais tentar tocar o escorpião com a mão desprotegida e jamais fazer qualquer ação que a exponha ela a um acidente. Se for possível aprisionar o animal em um pote de vidro ou de plástico, ela deve fazer isso e imediatamente comunicar aos órgãos públicos do município — orienta o biólogo.
Para relatar a presença de escorpiões ou solicitar orientações, a prefeitura disponibilizou os telefones da Gerência de Vigilância Ambiental através do número (22) 2350-6010, ramal 6252. Em caso de necessidade de remoção de entulho nas ruas, a orientação é ligar para o número (22) 981458666.











