Aécio pode voltar à cena política de “mãos dadas” com Perillo
Se confirmado o nome do deputado mineiro, Perillo terá que andar de “mãos dadas” com um político gravado pedindo propina de R$ 2 milhões ao dono da JBS e sugerindo matar o próprio primo em caso de delação.

Após ficar politicamente apagado desde que foi atingido por um tsunami de denúncias de corrupção feitas pelos donos da JBS durante a Operação Lava Jato, em 2017, o agora deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) ensaia o retorno à cena política e planeja disputar a presidência do PSDB na convenção nacional do partido, marcada para 30 de novembro.
A grande possibilidade é de que esse retorno seja acompanhado por outro membro do partido também acusado de corrupção e preso na Operação Cash Delivery (braço da Lava Jato), que investiga pagamento de propinas em campanhas eleitorais, em Goiânia, delatados pela Odebracht, o ex-governador Marconi Perillo - que deve fazer parte da Executiva Nacional. Ele também é cotado para comandar a sigla.
De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, o ex-senador levou a melhor em relação ao grupo de Eduardo Leite (RS) nas negociações para a construção de uma chapa única para o diretório nacional do PSDB, que passará a ter maioria aecista na cúpula tucana.
Segundo a reportagem, como Tasso Jereissati (CE) foi reprovado pelo grupo de Aécio, o nome de Marconi Perillo também ganha força.
A questão é que, para ser candidato à presidência do partido, Perillo terá que andar com o grupo de Aécio, ou seja, de “mãos dadas” com um político que foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, dono da JBS, para pagar despesas com a sua defesa na Lava Jato e sugerindo matar o próprio primo.
“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara”, disse Aécio em uma conversa telefônica com Joesley, que foi gravada e divulgada pela imprensa.
Fred, citado por Aécio, foi identificado pela Lava Jato como Frederico Pacheco de Medeiros, primo do então senador e um dos coordenadores de sua campanha em 2014. O encontro entre o executivo e Aécio teria ocorrido em 24 de março, em um hotel em São Paulo.
A pergunta que o nobre leitor deve fazer é uma só: é possível confiar em uma dupla como essa na direção de um partido que recebe milhões de reais provenientes de recursos públicos? A resposta parece óbvia, mas é preciso estar atento aos movimentos desses políticos que tentam se reinventar após escândalos de corrupção.















