Empresária de Goiânia teria matado jornalista por disputa de apartamento "emprestado"
Nesta segunda-feira (27), a principal testemunha do crime, Márcia Maria Carole, namorada de Renata, prestou depoimento à Polícia Civil e revelou como tentou impedir o ataque antes de acompanhar a vítima em uma desesperada fuga pelos corredores do edifíc

As investigações do assassinato do jornalista e colunista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, morto a facadas dentro do imóvel onde morava, no Setor Bueno, em Goiânia, indicam que a amiga de mais de 10 anos, a empresária Renata de Almeida Pedreira e Souza, que era dona desse apartamento e, supostamente, teria emprestado, sem nem cobrar aluguel, queria esse imóvel de volta e a discussão terminado em tragédia.
Nesta segunda-feira (27), a principal testemunha do crime prestou depoimento à Polícia Civil e revelou como tentou impedir o ataque antes de acompanhar a vítima em uma desesperada fuga pelos corredores do edifício. A mulher ouvida é Márcia Maria Carole, companheira de Renata de Almeida Pedreira e Souza, presa em flagrante e apontada como autora do homicídio. Márcia também foi ferida durante a confusão e foi ouvida na condição de vítima. Ao deixar a Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH), ela preferiu não falar com a imprensa.
Segundo o depoimento, a discussão começou dentro do apartamento e rapidamente evoluiu para violência. Márcia afirmou que Renata desferiu uma facada no peito de Delson. Ao tentar impedir novas agressões, ela segurou o braço da suspeita, mas acabou sofrendo cortes no ombro e no antebraço.
Mesmo ferido, Delson ainda conseguiu correr do sétimo para o quinto andar acompanhado da testemunha. Conforme o relato, Renata chegou a persegui-los pelos corredores, mas retornou ao apartamento e se trancou. Já no quinto andar, o jornalista não resistiu aos ferimentos e caiu sem vida.
As investigações apontam que a motivação do crime foi uma discussão envolvendo o imóvel onde Delson vivia. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Renata era proprietária do apartamento e havia emprestado o local ao jornalista, amigo dela há mais de dez anos. Ela queria a devolução do imóvel, mas teria concordado em esperar que ele se organizasse para sair.
Segundo os investigadores, o assunto voltou à tona durante uma confraternização entre os três na noite de sexta-feira (24). As testemunhas relataram que todos haviam ingerido bebida alcoólica e já estavam em avançado estado de embriaguez quando a discussão recomeçou.
Ainda conforme a investigação, Delson não pagava aluguel pelo apartamento. Nesse momento da discussão, Renata teria pegado uma faca e atacado o jornalista.
Após o crime, a suspeita permaneceu trancada dentro do imóvel por mais de três horas, recusando-se a se entregar. A Polícia Militar negociou a rendição durante toda a madrugada, mas precisou utilizar um explosivo para arrombar a porta do apartamento e prendê-la.
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No sábado (25), Renata passou por audiência de custódia. A Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. Na decisão, a magistrada considerou que manter a investigada presa também era uma forma de proteger Márcia, que presenciou toda a violência. Renata, que se apresenta nas redes sociais como dentista e empresária, foi encaminhada para a Casa de Prisão Provisória.
Além da principal testemunha, a Polícia Civil também ouviu o companheiro de Delson, que mora no apartamento e havia saído pouco antes da confusão. Outras pessoas ainda serão interrogadas, e o delegado pretende concluir o inquérito em até dez dias.
A investigação também pretende ouvir novamente Renata. Segundo o delegado, a intenção é permitir que ela apresente sua versão dos fatos após a coleta dos novos depoimentos.
O investigador revelou ainda que a polícia recebeu fotografias indicando que a suspeita colecionava facas e que teria chegado ao apartamento carregando pelo menos duas delas na mochila. Apesar disso, ele ressaltou que, até o momento, os relatos das testemunhas não apontam que o assassinato tenha sido premeditado.
Enquanto o inquérito avança, o corpo de Delson foi liberado pelo Instituto Médico Legal apenas no início da tarde desta segunda-feira. A liberação demorou porque o jornalista possuía documentos emitidos no Maranhão e em Goiás com divergência nos sobrenomes, exigindo a confirmação oficial da identidade.
O velório foi marcado para esta terça-feira (28), no Setor Coimbra, seguido do sepultamento. A Defensoria Pública informou apenas que representou Renata durante a audiência de custódia por obrigação legal e que não comentará o mérito do processo. Agora, a investigada deverá decidir se continuará assistida pelo órgão ou contratará defesa particular.
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