MPGO mira "braço" do PCC que recrutava jovens no Entorno do Distrito Federal
Investigação revela uso de "rasantes" — recados internos da facção — para ditar regras e expandir o bando

O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Gaeco, colocou o pé na porta de uma das maiores facções criminosas do país na manhã desta quarta-feira (28). A Operação Rasante foi deflagrada para desarticular uma célula do Primeiro Comando da Capital (PCC) que atua com força na região do Entorno do DF, especialmente em Águas Lindas de Goiás.
O nome da operação não é por acaso. Os investigadores descobriram que os criminosos utilizavam comunicações internas chamadas de "rasantes". Por meio desses recados e orientações, a cúpula da facção transmitia ordens para o crime nas ruas e, o mais grave: determinava o recrutamento de jovens e adolescentes para "batizar" novos membros no mundo do crime.
Recrutamento atrás das grades
De acordo com o Gaeco, a maioria dos alvos da operação já possui uma ficha criminal extensa, com condenações por homicídio, latrocínio e tráfico. O padrão identificado é alarmante: esses indivíduos teriam sido cooptados e "batizados" pelo PCC enquanto cumpriam pena em unidades prisionais. Uma vez em liberdade, passavam a atuar como soldados da facção no Entorno.
Força-Tarefa contra o PCC
A ação de hoje é um desdobramento de outras operações (Sintonia e Vigília) e contou com o apoio de peso da Polícia Penal, Polícia Militar e até da Secretaria de Administração Penitenciária do DF. Além dos 9 mandados da Operação Rasante, outros 2 mandados foram cumpridos em continuidade à Operação Vigília, que já denunciou diversas pessoas no ano passado.
O foco agora é cruzar os dados dos celulares e documentos apreendidos para identificar quem são os líderes que dão as ordens de dentro e de fora das cadeias, cortando o fluxo de comunicação que mantém a facção viva na região.

Facção do Rio de Janeiro mandou matar jovem em Goiânia com tiro na cabeça, revela polícia
No dia do crime, os executores chegaram ao imóvel se passando por policiais e dispararam à queima-roupa contra a cabeça da vítima. O avanço das apurações permitiu que as equipes da PC e da PM, com apoio do 30º Batalhão e da Rotam, identificassem toda a rede de apoio local e a ligação direta com os mandantes no Rio de Janeiro.













