“Não há dor maior”, diz prefeito que teve netos assassinados pelo genro
Crianças foram mortas pelo secretário de Governo, Thales Machado, enquanto dormiam. O crime foi uma vingança contra a então esposa, que é filha de Dione Araújo

O prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, se pronunciou publicamente pela primeira vez sobre a morte dos dois netos, caso que abalou a cidade e toda a região sul de Goiás. A declaração foi feita na segunda-feira (9), durante uma coletiva de imprensa, pouco menos de um mês após a tragédia. Assista no final do texto
Visivelmente emocionado, o prefeito afirmou que vive um dos momentos mais difíceis de sua vida. Segundo ele, conciliar o luto da família com as responsabilidades à frente da administração municipal tem sido um desafio diário.
“Não há dor maior do que o que aconteceu. Não desejo isso para ninguém”, declarou.
Durante a coletiva, o prefeito também agradeceu as manifestações de apoio recebidas desde o ocorrido. Segundo ele, o carinho e a solidariedade da população têm sido fundamentais para ajudar a família a enfrentar o momento de luto.
“Estamos tentando seguir em frente, um dia de cada vez. A dor é imensa, mas o apoio das pessoas tem sido muito importante para nós”, afirmou.
O episódio causou forte comoção em Itumbiara, onde a família é conhecida, e permanece marcado na memória da população.
Relembre o caso
As investigações da Polícia Civil de Goiás apontaram que o então secretário de Governo da prefeitura, Thales Naves Alves Machado, de 40 anos, matou os dois filhos enquanto eles dormiam dentro de casa. As informações foram apresentadas pelo delegado Felipe Sala, responsável pelo caso.
Segundo a polícia, as vítimas foram Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8. Após o crime, o pai também tirou a própria vida.
De acordo com a investigação, o crime ocorreu na noite de 11 de fevereiro. Conforme o delegado, o prefeito foi o primeiro a chegar à residência, por volta da meia-noite, pois possuía a senha de acesso ao imóvel.
As perícias indicaram que os dois meninos estavam deitados quando foram atingidos por disparos na cabeça. Em seguida, o pai disparou contra si mesmo.
A polícia também apurou que, pouco antes do crime, o secretário comprou galões de gasolina em um posto de combustíveis e levou o material para a casa. O combustível foi espalhado no imóvel, e um isqueiro foi encontrado no local, o que indicaria uma possível intenção de provocar um incêndio.
“Agora, o porquê ele não cometeu, não temos como dar essa resposta. Fato é que ao lado da cama havia um isqueiro e o incêndio não foi provocado”, afirmou o delegado.
Ainda segundo a investigação, a arma utilizada foi uma pistola **Glock G25 calibre .380, registrada no nome do próprio secretário. A polícia descartou qualquer participação de terceiros no crime.

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