Pais de ex-alunos chamam professor de “enviado do Satanás” por ensinar "tocar tambor"
Investigação da Decrin aponta discriminação contra religiões de matriz africana em mensagens e vídeos divulgados nas redes sociais; três pessoas foram indiciadas e podem responder criminalmente pelo caso

Uma investigação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (Decrin) terminou com o indiciamento de três pessoas por discriminação religiosa no Distrito Federal. O caso teve início após a divulgação de um vídeo gravado em frente ao Centro de Ensino Fundamental 1 (CEF 1) do Varjão, no qual uma mãe de ex-aluno critica uma atividade cultural promovida pela escola e faz ataques ao professor responsável.
Segundo as apurações, a gravação foi feita na porta da unidade escolar e compartilhada em grupos e redes sociais. Nas imagens, a mulher questiona uma aula que envolvia o ensino de instrumentos de percussão e associa a atividade a práticas religiosas de forma pejorativa.
“Tá acontecendo aqui no CEF 1 do Varjão. Professor ensinando a tocar tambor. Olha bem até onde vai o nível dos professores hoje em dia. Vê se tem condição um negócio desse. Esse professor é enviado do Satanás. O que ele vai ensinar aí? Isso é cultura? É o quê?”, afirma a mulher no vídeo.
A repercussão do conteúdo levou à abertura do inquérito pela Decrin. Durante a investigação, a polícia identificou que, além do vídeo, circulavam no mesmo grupo de pais diversos áudios com manifestações consideradas ofensivas contra religiões de matriz africana.
Com base nas provas reunidas, foram indiciados uma mulher de 48 anos e dois homens, de 52 e 60 anos. Todos são pais de ex-alunos da escola.
De acordo com a investigação, as ofensas foram disseminadas por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens. Por causa da divulgação pública do conteúdo, os envolvidos poderão enfrentar pena de até cinco anos de reclusão caso sejam condenados pela Justiça.
Após a repercussão do caso, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) informou, por meio de nota, que todas as atividades desenvolvidas nas escolas da rede possuem caráter pedagógico e educativo. A pasta também ressaltou que as ações são realizadas com respeito à diversidade cultural e à liberdade de crença, princípios garantidos pela legislação brasileira.

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