Veja quem são os seis investigados por suposto desvio de R$ 12 milhões da Saúde de Goiânia
Investigação aponta fraude em contrato com instituto de Tocantins; bens de suspeitos foram bloqueados e carros de luxo apreendidos

A operação deflagrada pela Polícia Civil, nesta terça-feira (18), que mira supostos desvios milionários na Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz e do ex-secretário Wilson Polara, mirou seis investigados. Veja abaixo os nomes:
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em quatro estados e no Distrito Federal, incluindo a residência do ex-gestor, localizada em São Paulo.
A ação investiga possível fraude em um contrato de R$ 11,6 milhões firmado entre a secretaria e o Instituto IDESP, de Palmas (TO), para modernização administrativa da pasta. Apesar de prever pagamento em 12 parcelas, quase todo o valor foi repassado em pouco mais de um mês, segundo a polícia — sem comprovação dos serviços prestados.
Quem são os investigados
Seis nomes são alvo direto da investigação, apontados como possíveis responsáveis pelo esquema:
| Nome | Cargo à época | Situação atual |
|---|---|---|
| Wilson Polara | Ex-secretário de Saúde | Morador de SP; alega não ter participado do contrato |
| Kesed Aires | Ex-secretário-executivo da pasta | Já havia sido preso em outra operação |
| Pedro Guilherme Goia | Ex-gestor fiscal do convênio / chegou a ser secretário por alguns dias | Investigado por participação na execução do contrato |
| Marcondes Batista Rodrigues | GCM e ex-diretor de infraestrutura | Defesa nega participação e diz que ele não tinha poder de assinatura |
| Raione Pérez Azevedo | GCM e ex-diretor de infraestrutura e logística | Atualmente trabalha na Câmara Municipal de Goiânia |
| Eliezer Pereira de Queiroz Jr. | Dono do IDESP, de Palmas (TO) | É investigado por possível favorecimento do instituto |
Operação e apreensões
Mandados foram cumpridos no Distrito Federal, Goiás, Tocantins e São Paulo. A Justiça também determinou a quebra de sigilo fiscal e bancário, além do bloqueio de bens de todos os investigados, até o limite de R$ 12 milhões — valor equivalente ao montante que teria sido desviado.
Na ação desta terça, os agentes apreenderam:
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cinco carros de luxo;
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celulares e computadores;
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documentos que devem ser analisados pela investigação.
Segundo a polícia, o padrão de vida dos investigados chamou atenção. Eles seriam proprietários de apartamentos de alto padrão, morariam em condomínios fechados e possuiriam veículos de alto valor comercial.
Investigação
Os investigadores apuram indícios de três crimes:
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associação criminosa,
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contratação direta ilegal,
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fraude em licitação.
Ao assumir a secretaria neste ano, o médico Luiz Pelizer suspendeu o contrato com o IDESP após constatar irregularidades. Àquela altura, o dinheiro já havia sido pago — o que levou ao início das investigações.
Histórico de denúncias
Não é a primeira vez que Polara e Kesed Aires são alvos de operações. Ambos já foram presos em novembro de 2024, em ação do Ministério Público que investigava irregularidades no pagamento de fornecedores das maternidades de Goiânia. Um mês depois, voltaram a ser investigados pela Polícia Civil por outro contrato, estimado em R$ 10 milhões, também na área da saúde.
Nesse último caso — já concluído — 17 pessoas foram indiciadas, incluindo Polara e Kesed, por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O inquérito está agora no Ministério Público.
O que dizem os envolvidos
Defesa de Wilson Polara afirmou que o ex-secretário estava afastado da função por decisão do Tribunal de Contas dos Municípios quando o contrato foi assinado. Segundo os advogados, ele só retornou ao cargo em 16 de agosto de 2024, depois da execução do convênio:
“Ele se mostrou extremamente surpreso com essa nova investigação. Não tinha ciência dos fatos apurados, já que estava afastado do cargo no período em que os pagamentos ocorreram”, afirmou a defesa.
Instituto IDESP declarou que colabora com as autoridades, que o caso “não interfere na qualidade dos serviços” e reafirmou compromisso com a transparência e cuidado com os pacientes.
Defesa de Marcondes Batista Rodrigues, GCM, disse que as acusações contra ele são “falsas” e que o ex-diretor não tinha competência para autorizar pagamentos ou firmar contratos.
A investigação segue em andamento. A Polícia Civil deve analisar os celulares, documentos e computadores apreendidos para identificar quem teria participado da execução do contrato e do suposto desvio dos recursos públicos.

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