Aava foca pedido de auditoria apenas na gestão Mabel e "esquece" que Cruz provocou caos
Em nota, vereadora se defende da afirmação de que é seletiva no pedido de investigação e diz que desde 2023 tem protocolado denúncias no TCM e MP, mas nenhuma das iniciativas resultou em providências concretas

A vereadora Aava Santiago (PSDB) pediu ao Ministério da Saúde uma auditoria na Saúde de Goiânia, mas com um detalhe que não passou despercebido: o recorte feito por ela inclui apenas a atual gestão do prefeito Sandro Mabel (UB), que assumiu há cinco meses. A investigação solicitada cobre o período de janeiro a abril de 2025, deixando de fora a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD), que afundou a saúde municipal e deixou um rombo de mais de R$ 250 milhões.
O pedido causou estranheza porque foi justamente durante o governo de Rogério que o sistema de saúde de Goiânia entrou em colapso: maternidades ficaram sem repasse, hospitais tiveram que reduzir atendimentos, e o então secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, foi preso por suspeita de envolvimento em esquema de corrupção.
Mesmo com esse histórico, Aava limitou a auditoria ao período já sob responsabilidade de Mabel, alegando que só recorreu ao DenaSUS após “três anos de tentativas frustradas” de obter respostas dos órgãos de controle locais.
Em nota, a vereadora argumenta que desde 2023 tem protocolado denúncias em órgãos como o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), o Ministério Público e o Ministério Público do Trabalho. E defende que a escolha do recorte atual se deve a problemas concretos, como equipamentos novos e lacrados sem uso, alas da Maternidade Dona Íris fechadas por falhas elétricas e aparelhos abandonados.
Mas o que pega mal é ignorar o caos herdado.
Na prática, a vereadora acaba mirando na gestão que assumiu o prejuízo, enquanto poupa quem deixou o buraco. A estratégia levanta dúvidas.
A crise na saúde pública de Goiânia tem raízes profundas — e se há algo que a população quer ver, é responsabilidade de todos os lados.
Veja nota da vereadora
A auditoria do DenaSUS foi solicitada por mim em março deste ano, após três anos de tentativas frustradas de obter respostas dos órgãos municipais e estaduais. Desde 2023, protocolei denúncias formais junto ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Ministério Público, Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público de Contas, tratando da falta de repasses às maternidades, irregularidades no pagamento do piso da enfermagem e contratações questionáveis por adesão à ata de registro de preços. Nenhuma dessas iniciativas resultou em providências concretas.
A auditoria do DenaSUS foi solicitada por mim em março deste ano, após três anos de tentativas frustradas de obter respostas dos órgãos municipais e estaduais. Desde 2023, protocolei denúncias formais junto ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Ministério Público, Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público de Contas, tratando da falta de repasses às maternidades, irregularidades no pagamento do piso da enfermagem e contratações questionáveis por adesão à ata de registro de preços. Nenhuma dessas iniciativas resultou em providências concretas.
As denúncias foram apresentadas nas seguintes datas: • 21 de julho de 2023 – Denúncia por falta de repasse de recursos para as maternidades (TCM); • 3 de novembro de 2023 – Denúncia sobre irregularidades nos repasses do piso salarial da enfermagem (MP, TCM e MPT); • 28 de agosto de 2024 – Denúncia sobre contrato firmado por adesão à ata de registro de preços (Ministério Público de Contas).
O pedido de auditoria não foi feito antes justamente porque acreditamos no papel dos órgãos de controle locais. Só recorremos ao DenaSUS quando ficou claro que as instâncias anteriores haviam se omitido, mesmo diante do agravamento da crise.
Importante destacar que a auditoria solicitada foca na atual gestão, e já na fase preliminar identificou problemas que não podem ser atribuídos à gestão anterior, como: • Equipamentos novos e lacrados, ainda sem uso por falta de estrutura; • Corredores inteiros da Maternidade Dona Íris fechados por falhas na rede elétrica; • Equipamentos essenciais abandonados no estacionamento, aguardando manutenção.
Essas situações já haviam sido denunciadas por mim em tribuna no início do ano. Na época, a gestão alegou estar no primeiro mês de governo. Hoje, cinco meses depois, os mesmos problemas permanecem.
Portanto, a ação não é tardia — ela é consequência de uma atuação consistente e contínua, que só recorreu ao Ministério da Saúde quando todas as alternativas anteriores falharam.
À disposição,Vereadora Aava Santiago

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