A disputa interna no PL ganhou novos contornos após o deputado estadual Major Araújo afirmar que houve veto à entrada de Clécio Alves (PSDB) e Amauri Ribeiro (PL) na chapa da sigla. Segundo ele, a rejeição partiu da própria composição interna do partido, que não queria a presença de nenhum dos dois nomes, evidenciando um racha e a ausência de alinhamento político dentro da legenda.
Após ter "porta fechada" o partido bolsonarista, Clécio aceitou convite de Marconi e se filiou ao PSDB em 23 de março.
A crise dentro do PL veio à tona com declarações diretas do deputado Major Araújo, que expôs o que classificou como um veto interno à entrada de novos nomes na chapa. O alvo principal da controvérsia foi o deputado Clécio Alves, cuja rejeição ganhou destaque nas falas do parlamentar.
De acordo com Araújo, a decisão não foi isolada: tanto Clécio quanto Amauri Ribeiro foram barrados pela chapa.
“A chapa não queria a presença de nenhum”, afirmou, deixando claro o nível de resistência interna.
Apesar disso, o desfecho contrariou o que ele defendia. Araújo diz que trabalhou pela entrada de Clécio — ou até mesmo pela inclusão dos dois deputados —, sob o argumento de que parlamentares com mandato fortalecem o partido, desde que estejam alinhados politicamente.
A rejeição a Clécio, no entanto, acabou sendo um dos pontos mais sensíveis. Em tom de frustração, o deputado fez um gesto público incomum ao colega tucano: pediu desculpas.
“Peço desculpas ao deputado Clécio. Não sei quais forças atuaram para que viesse apenas o Amauri”, declarou.
Nos bastidores, Araújo indicou que via em Clécio melhores condições políticas para integrar o grupo, destacando sua atuação conjunta na oposição na Assembleia Legislativa de Goiás. Ele também mencionou a ligação histórica do tucano com o MDB e com a família Rezende, o que, na sua avaliação, poderia contribuir para o fortalecimento da sigla.
Ao mesmo tempo, o deputado voltou a criticar Amauri Ribeiro, apontando contradição no fato de ele integrar o PL e, ainda assim, permanecer alinhado à base governista.
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O episódio escancara uma disputa interna no partido, marcada por divergências estratégicas e receio de concorrência entre os próprios integrantes — algo que Araújo fez questão de minimizar ao lembrar sua trajetória eleitoral.
“Eu nunca tive receio de concorrer com ninguém. O receio que a chapa tem, eu não tenho”, afirmou.
O caso evidencia um cenário de falta de consenso dentro do PL, onde decisões políticas passam por vetos internos e articulações pouco transparentes — e onde, no fim, nem sempre prevalece a estratégia defendida por seus próprios membros.