Apagão trava prestação de contas e adia sessão com prefeito de Aparecida
Falta de energia paralisa Câmara, impede transmissão obrigatória e frustra apresentação de números da gestão; Fazenda diz que contas melhoraram e dívida caiu milhões

A prestação de contas do prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela (MDB), referente ao primeiro quadrimestre de 2026 começou com um imprevisto que ninguém esperava: um apagão. A sessão, marcada para as 9h desta quinta-feira (16), foi suspensa por falta de energia e acabou adiada, sem nova data definida.
O problema elétrico atingiu diretamente a estrutura da Câmara Municipal e inviabilizou a transmissão da sessão — exigência obrigatória para garantir transparência e acesso público às informações. Sem luz e sem sistema funcionando, não houve alternativa senão interromper os trabalhos.
Segundo o presidente da Câmara, Gilsão Meu Povo (MDB), a falha não foi pontual. A energia estaria operando em “meia fase”, o que impediu até mesmo o acionamento do gerador. O problema, de acordo com ele, não se restringiu ao Legislativo: regiões como o Garavelo e até a Secretaria de Educação também foram afetadas.
Diante da previsão de demora para o restabelecimento do serviço, estimada em cerca de duas horas, a decisão foi pelo cancelamento da sessão. Todo o secretariado municipal já estava presente e preparado para a apresentação dos dados.
Enquanto a prestação oficial não acontece, algumas informações foram antecipadas de forma cautelosa. O secretário da Fazenda, Carlos Eduardo de Paula, evitou detalhar números antes da formalização, mas indicou que o município conseguiu um leve avanço fiscal.
De acordo com ele, em 2025 a receita superou as despesas — resultado atribuído tanto ao aumento na arrecadação quanto à redução de gastos. As despesas do ano passado, inclusive, ficaram abaixo das registradas em 2024, o que permitiu alcançar um cenário de equilíbrio nas contas públicas.
Apesar do ajuste, o secretário reconheceu que o município ainda enfrenta limitações financeiras. Segundo ele, a cidade demanda investimentos elevados e a arrecadação própria não é suficiente, o que tem levado a gestão a buscar empréstimos, como o solicitado junto ao New Development Bank (NDB), ligado ao bloco dos BRICS.
Outro ponto abordado foi a dívida herdada pela atual administração, estimada inicialmente em quase R$ 500 milhões. Segundo o secretário, cerca de R$ 300 milhões já foram reduzidos por meio de renegociações, revisão de contratos e outras medidas administrativas.
Mesmo assim, ainda restam entre R$ 160 milhões e R$ 170 milhões a serem quitados.
Sobre a capacidade de pagamento do município, a gestão afirma que os dados atuais ainda não refletem completamente a realidade. Isso porque o último índice oficial considera informações de 2024, período em que, segundo o secretário, não houve prestação adequada de dados.
A prefeitura afirma que novos documentos já estão sendo preparados e devem ser enviados ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) até o início da próxima semana, com atualização dos indicadores fiscais.
Enquanto isso, a população segue sem acesso aos números detalhados da gestão — e no aguardo de uma nova data para a sessão que começou, literalmente, no escuro.

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