A movimentação política em Goiás ganhou novo impulso com o avanço das conversas entre o governador Ronaldo Caiado (UB) e o PL. A possível ali@nça entre o grupo caiadista e o partido ligado ao ex-presidente Jair B0lsonaro passou a ser tratada, nos bastidores, como um fator capaz de redesenhar o cenário da disputa pelo Palácio das Esmeraldas nas eleiçõ€s de 2026, abrindo espaço para uma vitória ainda no primeiro turno do vice-governador Daniel Vilela (MDB).
O entendimento, segundo interlocutores do governo e analistas políticos locais, fortalece a base governista em relação às forças de oposição e reduz o campo de manobra de eventuais adversários. A eleição está marcada pela Justiça Eleitoral para 4 de outubro de 2026.
O último avanço concreto ocorreu em meados de dezembro, quando o tema foi tratado diretamente pelo senador Flávio B0lsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, durante visita a Goiânia. O encontro reuniu ainda o senador Wilder Morais (PL), que se coloca como pré-candidato ao governo, e o deputado federal Gustavo Gayer (PL), pré-candidato ao Senado. A presença do grupo reforçou a busca por uma composição ampla, com foco em aumentar as chances eleitorais, inclusive em uma eventual chapa que tenha a primeira-dama Gracinha Caiado (UB) como candidata ao Senado.
Apesar do otimismo, Caiado tem adotado discurso cauteloso. Na sexta-feira (9), após vistoriar as obras de reforma do Lyceu de Goiânia, o governador afirmou que as tratativas ainda dependem de novos diálogos.
“Depois do Natal, realmente, eu não tive nenhuma reunião. Antes do Natal, tive a oportunidade de conversar. O próprio Flávio B0lsonaro esteve comigo, conversando durante duas horas. E, realmente, a tendência é de nós avançarmos nessa ali@nça. Agora, é lógico que isso aí depende da continuidade das conversas”, disse.
Após a conversa em Goiânia, a direção nacional do PL teria dado sinal verde para que o partido trabalhe internamente pela pacificação e avance na adesão à base governista em Goiás. A divergência ficou mais evidente justamente após a visita de Flávio, já que Wilder Morais mantém o projeto de lançar candidatura própria ao governo, em confronto direto com Daniel Vilela. Segundo aliados, a autorização para o esforço de conciliação teria partido do próprio ex-presidente, versão reiterada por Gustavo Gayer a interlocutores.
Gayer e Flávio B0lsonaro estiveram juntos nos Estados Unidos nos últimos dias de 2025, e a avaliação entre bolsonaristas goianos é de que o comando nacional do PL tem priorizado a eleição de senadores em todo o país, incluindo Goiás. Além da vaga ao Senado, setores do partido chegaram a cogitar a exigência da vice-governadoria na chapa majoritária. Esse ponto, no entanto, foi publicamente descartado por Caiado. Nos últimos meses do ano passado, o governador reforçou a hierarquia dentro da base e deixou claro que a definição do posto de vice não está em negociação.
*Com informações de O Popular
“Eu não posso discutir o que não está na pauta. Eu tenho que discutir o que está na pauta. Só discuto o que está na pauta”, afirmou ao ser questionado sobre a possibilidade de o PL reivindicar mais espaço.
Nos bastidores, o consenso é que a união do grupo bolsonarista ao caiadismo cria uma margem real para que Daniel Vilela liquide a disputa já no primeiro turno, dependendo do desempenho das demais candidaturas da oposição. Projetos como o do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e uma eventual candidatura de esquerda ligada à base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são vistos, por ora, sem perspectiva de crescimento expressivo ao longo da campanha.