Caiado sobre faculdades de medicina reprovadas no Enamed: "viraram bets travestidas”
Governador afirma que a “indústria do diploma” virou jogo de azar, critica o uso de verba pública e defende o fechamento imediato das faculdades reprovadas

A divulgação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), nesta segunda-feira (19), reacendeu o debate sobre a qualidade do ensino médico em Goiás e no país. No estado, a maioria dos cursos avaliados apresentou desempenho considerado insatisfatório, o que motivou duras críticas do governador Ronaldo Caiado (UB), que comparou a expansão das faculdades de medicina a um “jogo de azar” que coloca em risco a v!da dos pacientes.
Dos cursos de medicina analisados em Goiás, 62,5% receberam notas 1 ou 2, numa escala que vai de 1 a 5. O índice, segundo especialistas da área educacional, acende um alerta sobre a formação dos futuros médicos e a capacidade dessas instituições de garantir padrões mínimos de qualidade.
Médico e governador, Caiado (UB) foi direto ao comentar o resultado. “São bets travestidas de faculdades”, afirmou.
Para ele, os números do Enamed escancaram um “estelionato educacional” promovido por uma indústria que, segundo diz, prioriza o lucro em detrimento da ética e da segurança da saúde pública.
“A formação médica virou um jogo de azar que aposta com a vida das pessoas”, declarou.
O Enamed reprovou 107 faculdades de medicina em todo o país. Na avaliação do governador, trata-se de um sistema sustentado por forte blindagem política e financeira.
“É uma indústria do diploma que movimenta bilhões, ignora critérios técnicos e forma ‘doutores’ sem proficiência”, disse.
Caiado destacou ainda a postura adotada por sua gestão em Goiás.
“Em meus sete anos de governo, não permiti a criação de nenhuma faculdade de medicina”, afirmou. Segundo ele, houve pressão constante de prefeitos, parlamentares e empresários do setor, mas a decisão foi resistir. “Isso virou um mercantilismo de faculdade, em que interesses políticos atropelam a técnica”, completou.
O governador relembrou também sua atuação no Congresso Nacional. Como senador, foi relator do Projeto de Lei nº 165/2017, que previa a criação de um exame obrigatório de proficiência para médicos formados no país. A proposta, no entanto, não avançou.
“Fui duramente atacado e derrotado. O motivo é simples: dinheiro. Esse mercado é bilionário e politicamente protegido”, afirmou.
Outro ponto citado por Caiado é o impacto financeiro sobre as famílias. Segundo ele, muitos pais comprometem patrimônio para pagar mensalidades que chegam a quase R$ 20 mil.
“Depois descobrem que o filho não teve a formação adequada”, disse. O reflexo, afirma, aparece nos hospitais. “Há profissionais que pedem exames sucessivos porque não conseguem chegar a um diagnóstico. São analfabetos em termos médicos”, criticou.
Diante do cenário, o governador defende medidas mais duras. Para ele, as instituições deveriam comprovar qualidade antes mesmo de abrir matrículas. Após a reprovação em massa, foi categórico: “Essas 107 faculdades devem fechar imediatamente”. A alternativa, segundo ele, seria transferir os alunos para cursos com nota superior a 3. Sem isso, avalia, a medicina brasileira caminha para um colapso irreversível.
Caiado também criticou o uso de recursos públicos. Segundo ele, faculdades mal avaliadas se beneficiam de programas como Fies e ProUni, captando bilhões em verba pública para financiar um ensino precário.
“O Estado patrocina a própria ineficiência enquanto empresários lucram com falsas promessas e com a esperança das famílias”, afirmou.
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Entenda o caso
O Enamed avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. Em Goiás, universidades públicas e algumas instituições privadas tradicionais obtiveram conceitos mais altos, entre 3 e 4. Já a maior parte das faculdades, especialmente no interior, concentrou-se nas faixas 1 e 2 da avaliação.
De acordo com o Inep, cursos com notas mais baixas podem sofrer sanções, como restrições ao acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e impedimento para abertura de novas vagas. A aplicação das penalidades depende do vínculo institucional, já que nem todas as faculdades estaduais e municipais estão sob supervisão direta do Ministério da Educação. No país, 304 instituições avaliadas integram o Sistema Federal de Ensino.
A prova é aplicada anualmente e mede tanto o desempenho dos estudantes quanto a qualidade do ensino ofertado. Nesta edição, cerca de 89 mil alunos participaram. Entre os concluintes, apenas 67% atingiram o nível considerado proficiente, enquanto quase 13 mil ficaram abaixo do padrão esperado. Antes da divulgação, um grupo de universidades particulares tentou barrar judicialmente a publicação dos resultados, sem sucesso.
Resultado dos cursos de medicina em Goiás
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Universidade Estadual de Goiás (UEG) – Itumbiara: 4
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Universidade Evangélica de Goiás (Unievangélica) – Anápolis: 4
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Universidade Federal de Goiás (UFG) – Goiânia: 4
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Universidade Federal de Catalão (UFCAT) – Catalão: 4
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Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) – Goiânia: 3
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Centro Universitário de Goiatuba (Unicerrado) – Goiatuba: 1
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Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan) – Aparecida de Goiânia: 1
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Universidade de Rio Verde (Fesurv) – Goianésia: 1
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Universidade de Rio Verde (Fesurv) – Formosa: 1
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Universidade de Rio Verde (Fesurv) – Aparecida: 2
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Universidade de Rio Verde (Fesurv) – Rio Verde: 2
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Faculdade Morgana Potrich (Famp) – Mineiros: 2
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Centro Universitário de Mineiros (Unifimes) – Trindade: 2
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Centro Universitário de Mineiros (Unifimes) – Mineiros: 2
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Faculdade Zarns – Itumbiara: 1
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Universidade Federal de Jataí (UFJ) – Jataí

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