Justiça cassa prefeito por “comprar” votos com santo, churrasco e show de sertanejos famosos
Festa com boi no rolete, evento grátis com João Bosco e Vinícius o e patrocínio da empresa própria pesaram na condenação de Édio Navarini e da vice-prefeita Jaqueline Mineirão. Município terá nova eleição

O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) cassou nessa quinta-feira (13) o mandato do prefeito de Bom Jardim de Goiás, Édio Navarini (Podemos), e da vice-prefeita Jaqueline Silva dos Santos. A decisão, da juíza Yasmin Andressa Simioni Cavalari, se deu por abuso de poder econômico durante a campanha de 2024 — prática que desequilibrou o pleito e afrontou a isonomia entre os candidatos.
A sentença, de 18 páginas, aponta que o empresário, dono da Agropecuária Navarini, usou a estrutura da empresa para alavancar sua imagem política em festas religiosas e eventos populares da cidade — um município com menos de 10 mil habitantes.
Almoço com dois bois assados e show de sertanejo famoso
Segundo o processo, Édio bancou parte da tradicional Festa de São João Batista em 2023 e 2024, ofertando comida farta (dois bois no rolete e dois na brasa), além de distribuir brindes como bonés e canecas com o logotipo da sua agropecuária. Em fevereiro de 2024, já como pré-candidato, ele ainda realizou uma festa de aniversário aberta à população, com show da dupla João Bosco & Vinícius e transporte gratuito.
A oposição, representada pelo diretório municipal do União Brasil, acusou o prefeito de transformar eventos religiosos e comunitários em palanque eleitoral — com uso ostensivo da marca da empresa como fachada de campanha antecipada.
Influência religiosa e redes sociais
A juíza também destacou o papel de um ministro da igreja local, que, em vídeos nas redes sociais, pedia que os fiéis comparecessem às procissões vestidos com a camiseta da Agropecuária Navarini — numa espécie de “bloco político-religioso”.
Em depoimento, esse líder religioso admitiu ter pedido votos para Édio e publicado conteúdos que misturavam fé e apoio político.
“Esse esforço de vincular a marca empresarial ao candidato teve, sim, um peso decisivo e indevido no processo eleitoral”, escreveu a magistrada.
Defesa alega "marketing institucional" e tradição cultural
A defesa tentou argumentar que os eventos faziam parte de costumes da cidade e que a presença da Agropecuária Navarini era apenas uma ação de marketing corporativo. Afirmou ainda que a festa de aniversário tinha caráter pessoal e familiar, sem viés eleitoral.
Mas os argumentos não colaram. A juíza ressaltou que a atuação do então candidato extrapolou os limites do razoável: “Em uma cidade pequena como Bom Jardim, esse tipo de promoção fere diretamente a equidade entre os candidatos.”
Cassação e novas eleições
Com a condenação, Édio Navarini perde o diploma de prefeito e se torna inelegível por 8 anos. A decisão também afeta a vice-prefeita Jaqueline, já que a chapa é considerada indivisível. O TRE-GO deverá convocar novas eleições para prefeito e vice no município.

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