Márcio Corrêa denuncia "farra dos atestados falsos", abre PAD e denuncia servidores corruptos ao MP; veja vídeo
A Prefeitura de Anápolis desembolsou cerca de R$ 27 milhões em 2025 apenas com afastamentos de servidores por atestado médico. Auditoria interna que identificou indícios de fraud*e em afastamentos

A Prefeitura de Anápolis desembolsou cerca de R$ 27 milhões em 2025 apenas com afastamentos de servidores por atestado médico. O montante corresponde ao pagamento de mais de 101 mil dias de licenças custeadas com recursos públicos e levou a gestão municipal a abrir uma auditoria interna que identificou indícios de fraud*e em parte dos afastamentos.
A apuração faz parte de um pente-fino mais amplo nas despesas da administração, que já havia atingido contratos de carros alugados, locação de máquinas e aquisição de softwares. Segundo a prefeitura, a investigação encontrou situações consideradas irregulares, como servidores afastados há anos, com remunerações elevadas, mantendo o salário integral pago pelo município.
Apesar das denúncias, o prefeito Márcio Corrêa afirmou que a maioria do funcionalismo atua de forma correta.
“A imensa maioria dos servidores de Anápolis é formada por pais e mães de família que trabalham todos os dias com seriedade. É justamente por respeito a eles e ao cidadão que paga imposto que essas irregularidades estão sendo encaminhadas às autoridades”, disse.
De acordo com Corrêa, há casos de servidores com salários de até R$ 30 mil mensais afastados por longos períodos. A auditoria também identificou situações em que servidores estariam de licença médica enquanto cursam faculdade fora do país, trabalham na iniciativa privada ou prestam serviços a outros municípios. Em alguns episódios, segundo o prefeito, o mesmo servidor acumulou anos consecutivos de afastamento, sem a aplicação das reduções salariais previstas em lei.
A legislação municipal determina que, após 120 dias de afastamento, o servidor tenha redução de um terço da remuneração; após 240 dias, a redução passa a dois terços; e, ao completar um ano, não há mais direito ao salário integral. A auditoria, porém, aponta que essas regras não teriam sido observadas em diversos casos, com pagamento de adicionais como assiduidade e insalubridade mesmo durante o afastamento.
O prefeito citou ainda episódios considerados graves, como a apresentação de atestados falsos e a suspeita de conivência na autorização de licenças. Em um dos casos relatados, o documento apresentado teria sido atribuído a um médico perito, que negou a assinatura. O servidor envolvido foi exonerado.
“Isso é dinheiro do contribuinte. Não é meu, não é do servidor. É recurso público que precisa ser tratado com responsabilidade. Essa frarr*a não tem limite e mancha a imagem de quem trabalha corretamente”, afirmou Corrêa, em tom duro.
Segundo a prefeitura, todas as provas já reunidas estão sendo encaminhadas para a abertura de processos administrativos disciplinares (PADs) e sindicâncias, além do envio dos casos ao Ministério Público e à Polícia Civil. A gestão afirma que, se confirmadas as irregularidades, os responsáveis poderão ser punidos e obrigados a ressarcir os cofres públicos.
O prefeito também relacionou o impacto dos afastamentos ao cenário financeiro do município. A arrecadação própria anual gira em torno de R$ 80 milhões, dos quais cerca de R$ 70 milhões são consumidos pela folha de pagamento, além de R$ 20 milhões em empréstimos herdados de gestões anteriores.
“Estamos numa situação de quase insolvência e precisamos colocar ordem na casa”, disse.
Apesar do discurso firme, Corrêa buscou afastar a ideia de perseguição ao funcionalismo.
“Isso não é contra o servidor honesto. Pelo contrário: é para valorizá-lo. Não vamos permitir corrupção e nem uso indevido do dinheiro público, doa a quem doer”, afirmou.
A prefeitura sustenta que a auditoria na folha de pagamento continuará e que novos levantamentos podem ampliar o número de casos investigados. Para a gestão, o enfrentamento das irregularidades é uma tentativa de estancar o que o prefeito classificou como um “câncer” dentro da administração pública municipal.

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