MP denuncia deputado pelo crime de "racismo homofóbico"
Conforme o juiz Alexandre Bizotto, o parlamentar “praticou e incitou a discriminação ou preconceito de raça, na modalidade homofobia”

O deputado Amauri Ribeiro (UB) foi denunciado pelo Ministério Público de Goiás, na última sexta-feira (20), pelo crime de racismo homofóbico. O parlamentar era investigado desde que compartilhou uma publicação em suas redes sociais, em abril de 2022, onde uma mão "branca" segura o punho de um homem negro coberto com uma bandeira com as cores do arco-íris e a seguinte frase “na minha família não”.
As investigações foram concluídas no dia 15 de dezembro pelo grupo Especializado no Atendimento às vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância da Polícia Civil de Goiás (GEACRI), e a Justiça determinou que o parlamentar fosse investigado como pessoa comum, o que significa, sem foro privilegiado por ser deputado. Desde então, o inquérito estava sob análise do Ministério Público.
Conforme o desembargador Amaral Wilson de Oliveira, "a condutado do deputado não se verifica correlação entre a conduta atribuída ao referido autor dos fatos e o efetivo exercício de suas funções como parlamentar, o que justificaria a manutenção dos autos neste Tribunal", explicou.
Após a decisão da Justiça, o parlamentar alegou que considera a situação um absurdo e que em nenhum momento fez algum tipo de discriminação.
“Não vejo onde pratiquei homofobia nesta foto, visto que as cores da camisa dos dois braços não são patenteadas por ninguém. Republiquei uma foto da internet com os dizerem ‘Na minha família não’, não sou obrigado a saber que as cores do arco íris têm dono [...]. Nunca pratiquei nenhum ato de preconceito em 50 anos de vida, absurdo o que estão fazendo”, pontuou.
Já no documento, o juiz Alexandre Bizotto afirma que Amauri de forma consciente e voluntária “praticou e incitou a discriminação ou preconceito de raça, na modalidade homofobia”.
Relembre o caso
No dia 04 de abril o deputado compartilhou em suas redes sociais uma publicação que apresentava uma mão que segurava um punho negro com as cores do arco-íris e com a seguinte frase “na minha família não”.
O grupo Especializado no Atendimento às vítimas de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância da Polícia Civil de Goiás (GEACRI) realizou as investigações após entidades e associações de proteção dos direitos LGBTQI+ denunciar a notícia-crime.
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Após as apurações, o Geacri indiciou Amauri por “demonizar pessoas gays, colocando-as como uma ameaça ao modelo heterossexual”. Com isso, a polícia definiu que Amauri “extrapolou a liberdade de expressão” e a Justiça determinou que o parlamentar fosse investigado como pessoa comum, no que resulta, sem foro privilegiado por ser deputado.
Se condenado, Amauri Ribeiro pode pegar até cinco anos de prisão.

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