Servidores investigados por fraude de R$ 11 milhões no Samu são identificados; veja nomes
A gestão Mabel diz que, assim que a Polícia Federal oficializar relação dos envolvidos, será aberto um PAD para apurar a conduta dos servidores, com direito de defesa, o que pode resultar em "demissão"

A Operação Check-up 192, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um suposto esquema de fraude no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Goiânia, trouxe à tona uma nova controvérsia na gestão municipal. Segundo apuração do G5News, quatro servidores efetivos da prefeitura — identificados como Alexandre, Jorci, Daniel e Paulo — seguem trabalhando normalmente nos mesmos cargos que ocupavam durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz, período em que o suposto rombo de quase R$ 11 milhões teria ocorrido.
A informação contrasta com a postura oficial da atual gestão Mabel (UB), que afirma não ter recebido da Polícia Federal os nomes dos investigados. A PF alega que os dados permanecem em segredo de justiça, o que impede o Executivo de atuar preventivamente.
“Sem os nomes oficializados, não é possível abrir processo administrativo ou afastar servidores”, informou a prefeitura.
Investigados são efetivos e continuaram no cargo
O delegado da Polícia Federal responsável pelo caso, André Monteiro, confirmou que os quatro servidores são concursados e mantiveram função estratégica na coordenadoria do Samu nas duas gestões.
“Todos os servidores são efetivos da prefeitura, já estavam na gestão anterior e continuam nessa. Eles exerceram a mesma função tanto na gestão passada quanto na atual”, afirmou.
Segundo Monteiro, a continuidade dos investigados no cargo representa um ponto central da apuração.
“Eles atuavam diretamente nos contratos supervisionados e também tinham participação na execução de serviços, inclusive em oficinas clandestinas”, declarou.
Prefeitura diz que espera notificação oficial
Em resposta aos questionamentos do G5News, a administração municipal afirmou que só poderá agir após a PF informar oficialmente os nomes, o que ainda não ocorreu. A prefeitura prevê a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) quando houver acesso formal às identidades, resguardando o direito à ampla defesa. Até lá, os servidores seguem lotados na área do Samu.
A situação levanta questionamentos sobre o impasse jurídico e administrativo. Sem acesso ao conteúdo da investigação, a gestão Mabel diz estar “de mãos atadas” diante das acusações.
Como começou a operação
Em entrevista à reportagem, o delegado André Monteiro detalhou a origem da investigação:
“A Operação Check-up 192 se iniciou a partir de um relatório de auditoria do Denasus, que informou diversas irregularidades em repasses de recursos federais relacionados aos contratos da saúde da Prefeitura de Goiânia, em especial os de ambulâncias do Samu.”
Após o relatório, a Controladoria-Geral da União (CGU) aprofundou a análise dos contratos. Foram constatadas suspeitas de superfaturamento, desvio de serviços, simulações e manutenção de ambulâncias em oficinas clandestinas — supostamente com a participação direta de servidores municipais.
Segundo Monteiro, quase metade da frota do Samu estaria parada, mas mesmo assim seguia gerando repasses federais com base em serviços simulados.
Valores sob suspeita
-
Dois contratos firmados com empresas credenciadas somam R$ 8 milhões
-
Ao menos R$ 2,4 milhões teriam sido destinados à manutenção das ambulâncias
-
Parte dos serviços, segundo a PF, jamais foi realizada
Alvos da operação
Além dos 4 servidores efetivos da prefeitura de Goiânia, Alexandre, Jorci, Daniel e Paulo, também são alvos:
Fornecedores e empresas
-
3 empresários donos de oficinas e distribuidoras de peças
Mandados cumpridos
-
9 mandados de busca e apreensão
-
7 em Goiânia
-
2 em Aparecida de Goiânia
-
1 dentro do Paço Municipal
Prisão em flagrante
-
Um dos servidores foi preso em casa, com uma arma de fogo
-
Ele está detido na sede da PF
A gestão municipal confirmou que, assim que os nomes forem oficializados, deve abrir uma investigação interna para decidir o futuro dos servidores. A possibilidade de afastamento ou exoneração só ocorrerá após a conclusão do PAD.
Enquanto isso, os nomes que circulam nos bastidores do Paço permanecem sem efeito administrativo — e os servidores seguem trabalhando no Samu, na mesma função que ocupavam quando a fraude começou a ser investigada.
A PF ainda não estipulou prazo para a finalização das apurações.

Única senadora eleita por Goiás, Lúcia Vânia declara apoio à Gracinha Caiado; assista
Ex-senadora ressalta trajetória de Gracinha e afirma que a candidatura representa uma oportunidade para o Estado e para os goianos

Kitão quer levar debate sobre cannabis para Alego e uso da fibra na medicina
Candidato a deputado estadual, vereador quer usar experiência acumulada em Goiânia para levar discussão à Assembleia e ampliar políticas relacionadas à cannabis medicinal em Goiás











