Professor goiano e amiga brasileira conseguem deixar Ucrânia e relatam fuga da guerra; veja vídeos
Já na tarde dessa quarta-feira (02), Cristiane fez uma publicação informando que eles já estavam em Berlim. Logo após chegar à Capital, Gabriel contou sobre o sofrimento de sair da Ucrânia.

O goiano Gabriel Felipe Costa, 25 anos, e a amiga brasileira Cristiane Nedashkovskaya, que vivem na Ucrânia e tentam deixar o país desde o início dos ataques russos, nas primeiras horas da quinta-feira (24), conseguiram chegar à Alemanha, nessa quarta-feira (2), após percorreram mais de dois mil quilômetros e passarem por 5 países.
Professor de inglês em Kiev, Capital da Ucrânia, Gabriel precisou pedir carona e usar um monociclo elétrico até chegar a casa da amiga, em Bila Tserkva, a cerca de 85 km de distância, onde pegariam um carro para fugir da guerra na Ucrânia.
Os jovens conseguiram sair do território ucraniano na segunda-feira (28), quando chegaram à Maldóvia. Em seguida, partiram em direção a Romênia. Nas redes sociais, o goiano explicou o trajeto: "A gente vai passar pela Hungria, pela Eslováquia, pela República Tcheca e, finalmente, [chegar à] Alemanha".
Gabriel registrou a passagem pelas Capitais Budapeste, na Hungria, Bratislava, na Eslováquia, e Praga, na República Checa. No local, o jovem marcou que ainda faltavam 485 km até a Capital alemã.
Já na tarde dessa quarta-feira (02), Cristiane fez uma publicação informando que eles já estavam em Berlim. Logo após chegar à Capital, Gabriel contou sobre o sofrimento de sair da Ucrânia.
"Vou descansar, estou muito cansado esses dias. Estou triste agora porque está caindo a ficha. Eu e tantas pessoas tínhamos tantos planos. [...] Eu não sei quando posso voltar. Dá tanta raiva dessas pessoas invadindo o País que eu amo, destruindo sonhos das pessoas", afirmou.
Em outra publicação, com imagens de quatro dias atrás, quando ainda estavam na Ucrânia, a jovem relatou como foi dormir no meio da fuga. "Coisas simples como dormir se tornam um problema", escreveu.
"Você está cansado mas ao mesmo tempo quer seguir viagem para ficar o mais longe possível do perigo. O conforto da sua cama já não existe mais. Não pode parar em qualquer lugar, porque se a escolha for errada você pode terminar morto", finalizou.
Ainda na publicação, a brasileira contou como decidiram o lugar onde dormiriam. "Entre esse prédio e um carro, para ficarmos protegidos dos dois lados. E com visão estratégica do céu, para caso a gente ver alguma coisa ter tempo de abrir [o carro] e correr."
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Invasão russa
Tropas militares da Rússia invadiram a Ucrânia na madrugada da última quinta-feira (24), após um vídeo publicado pelo presidente russo Vladimir Putin, onde ele autoriza o envio do exército para o País vizinho. No mesmo dia, foram registrados ataques em várias regiões ucranianas.
Na última sexta-feira (25), os militares começaram a chegar próximo a Kiev, Capital da Ucrânia. Putin exigiu ao governo ucraniano para que entregasse as armas e retirassem o presidente Volodymyr Zelensky do poder como forma de cessar o ataque.
Já na segunda-feira (28), delegação russa e ucraniana se encontraram para discutir, diplomaticamente, um cessar-fogo. No entanto, não houve acordo. Outra reunião está prevista ainda para esta semana.
No meio do caos, milhares de ucranianos e pessoas de outras nacionalidades tentam fugir para regiões vizinhas, como Polônia, Romênia, Hungria e Eslováquia. Segundo o Itamaraty, pelo menos 500 brasileiros estão morando no País europeu.
O Governo Federal está com aviões da Forças Armadas Brasileiras (FAB) de prontidão para iniciar o resgate de brasileiros no continente europeu, mas nenhum decolou ainda. O resgate aéreo não pode ser feito na Ucrânia, já que todo o espaço aéreo está fechado para qualquer tipo de voo desde o início do ataque.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 1 milhão de pessoas já fugiram da Ucrânia desde a última quinta-feira. O clima é tenso, com autoridades pedindo aos moradores que saiam do País.
No entanto, homens com idade entre 18 e 60 anos foram proibidos de saírem, já que estão sendo convocados para participar da "resistência" ao ataque.
O governo ucraniano, inclusive, cedeu armas aos civis que também querem lutar na guerra. Uma rede de televisão ensinou os moradores como produzirem "coquetel molotov", um explosivo químico.
Além disso, o presidente Zelensky retirou a necessidade de visto para entrada de estrangeiros, para que voluntários de outras regiões possam ir até a Ucrânia e ajudar na luta.
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