Uma discussão acalorada entre integrantes da P0lícia Militar dentro da Delegacia de Trindade, na Região Metropolitana de Goiânia, terminou com a prisão de um capitão e de um soldado da corporação. O episódio, ocorrido após um bate-boca entre oficiais, foi parar na Corregedoria da PM e passou pelo crivo da Justiça no fim de semana. Após audiência de custódia, os dois foram soltos, mas seguem submetidos a medidas cautelares.
O desentendimento envolveu o capitão Ailton Benevides de Souza Júnior, o segundo-tenente Carlos Antônio Ferreira de Oliveira e o soldado Adelor Dias Furtado Neto. De acordo com relatos registrados, a confusão ganhou contornos mais graves dentro da delegacia, com troca de acusações e gritos. Em um dos momentos, o tenente teria dito: “Agora você vai ser autuado na Corregedoria, tá sendo autuado capitão?”. Em resposta, o capitão reagiu: “Tira a mão da arma”.
A origem do conflito remonta a uma ocorrência relacionada à Lei Maria da Penha. O tenente Carlos Oliveira havia dado voz de prisão ao soldado Adelor durante o atendimento do caso. No boletim de ocorrência, a ex-companheira do PM relatou que foi ofendida com xingamentos como “vagabunda” e “inút!l”. Ela afirmou ainda que o casal está em processo de separação e que pretendia se mudar para Minas Gerais, mas que o ex não teria permitido que a filha mais nova, de dois anos, a acompanhasse, autorizando apenas a ida da criança de 10 anos. Diante da discussão, a mulher procurou uma viatura da patrulha Maria da Penha.
Em interrogatório posteriormente obtido, o soldado apresentou versão diferente. Segundo ele, estava em um mercado com a filha mais nova quando percebeu que a ex-companheira conversava com policiais militares. Desconfiado de que algo estaria sendo “preparado” contra ele, Adelor disse ter ligado para o capitão Benevides. Ao conversar com os policiais e com o tenente Carlos Oliveira, teria tomado conhecimento de que a mulher alegava que ele havia pegado a criança e pretendia desaparecer com ela.
Ainda conforme o relato do soldado, o capitão Benevides chegou ao local fardado, mas em carro particular. Em seguida, todos se dirigiram à Delegacia de Trindade. Enquanto prestava depoimento ao delegado, Adelor afirmou ter ouvido gritos e presenciado a discussão entre o capitão e o tenente, que culminou na confusão generalizada.
O capitão Benevides e o soldado Adelor acabaram presos dentro da Corregedoria da Polícia Militar, que abriu investigação para apurar as condutas dos envolvidos. Em nota, a PM informou que instaurou procedimentos administrativos disciplinares e ressaltou que não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus integrantes.
Após passarem por audiência de custódia, os dois policiais foram colocados em liberdade, com imposição de medidas cautelares enquanto o caso segue sob apuração. A reportagem entrou em contato com o capitão Ailton Benevides de Souza Júnior, o soldado Adelor Dias Furtado Neto e o segundo-tenente Carlos Antônio Ferreira de Oliveira e aguarda posicionamento dos citados.