Bolsonaristas usam ex-presidente para aprovar "PEC da Impunidade" e se livrarem de investigação; veja vídeo
Movimento para restruturar o foro privilegiado surgiu durante a resolução do motim dos apoiadores de Bolsonaro. A implementação destas mudanças seria condição para reintegrar Hugo Motta à presidência

Uma nova proposta de emenda constitucional está provocando polêmica. Nos bastidores do Congresso, deputados preparam um texto que visa alterar o funcionamento do foro privilegiado, uma mudança que está sendo chamada de "pacote da impunidade" em Brasília.
Enquanto setores da direita se movimentam para proteger o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de possíveis processos judiciais, a movimentação nos corredores do Congresso segue em direção a um objetivo que pode mudar profundamente o cenário jurídico para senadores e deputados. A proposta, ainda em fase de redação, propõe que a abertura de inquéritos contra parlamentares dependa de autorização prévia do Congresso.
Atualmente, o Ministério Público Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) ou por determinação de ministros do STF, pode iniciar investigações contra membros do Legislativo. Contudo, com a nova proposta, esse poder de decisão seria deslocado para os Tribunais Regionais Federais ou para o Superior Tribunal de Justiça, com a necessidade de aval dos próprios parlamentares.
Especialistas apontam que essa mudança, na prática, pode bloquear muito das investigações que hoje são iniciadas no âmbito do STF. A crítica principal é que, ao depender de uma autorização interna, a maioria das investigações poderia ser sufocada antes mesmo de começar. Mesmo projetos que iniciam sob a bandeira de acabar com privilégios políticos podem ter efeitos opostos ao proporcionar uma maior proteção a parlamentares sob suspeita.
Este movimento para restruturar o foro privilegiado surgiu como parte de um acordo político durante a resolução do motim dos apoiadores de Bolsonaro na Câmara. A implementação destas mudanças teria sido uma condição para reintegrar Hugo Mota à presidência após a tomada da Mesa Diretora, segundo fontes próximas ao G5 News.
As consequências de tal alteração podem ser profundas, impactando a forma como a justiça é aplicada a ocupantes de cargos eletivos. O debate sobre o equilíbrio entre eliminar privilégios e assegurar uma verdadeira responsabilidade continua a dividir opiniões em Brasília.

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