Bolsonaro chama Caiado de governador "que fala grosso" e o acusa de mentir sobre ICMS
Governador goiano cancelou sua ida ao lançamento de programa federal, em Brasília, após críticas do presidente

O governador Ronaldo Caiado (DEM) desistiu de participar do lançamento do Programa de Autorizações Ferroviárias, o Pro Trilhos, promovido nessa quinta-feira (2) no Palácio do Planalto, em Brasília. A presença do político estava prevista em agenda. No entanto, o cancelamento foi uma resposta aos discursos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aos seus apoiadores se referindo ao democrata.
Durante o discurso, Bolsonaro chama Caiado de "governador do Centro-Oeste que fala grosso" e o acusa de mentir sobre o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A fala foi feita após publicação do governador em suas redes sociais, no dia 30 de agosto, em que dizia que "a alíquota que é cobrada em Goiás é a mesma desde 2016" e que o Estado não fez nenhum reajuste desde então. "O imposto é o mesmo do ano passado, por exemplo, em que a gasolina custava até menos de R$ 4,00."
Bolsonaro tem atacado os governadores, alegando que a alta no preço dos combustíveis é culpa dos Estados e da "ganância" de seus gestores. Ainda na publicação de Caiado, ele rebate a afirmação do presidente dizendo que o aumento "nunca foi culpa do Estado porque o reajuste é feito pela Petrobrás, seguindo o valor do dólar."
"Tem dois governadores, não vou falar o nome aqui, que estão mentindo falando que estou mentindo, eles que estão mentindo. Um aqui do Centro-Oeste, que fala grosso o cara, [diz que] está 32% o preço fixo. Mas não fala que o 30% é em cima do valor total da bomba e que tinha de ser em cima do preço da usina, refinaria", disse Bolsonaro, em conversa com apoiadores no cercadinho do Planalto.
No entanto, a relação entre os dois têm sido estremecida não somente pela discussão do ICMS, mas também pela divergência na visão de combate à pandemia. O presidente tem responsabilizado os governadores e prefeitos que estabeleceram medidas restritivas pela crise econômica que assola o País.
Durante visita de Bolsonaro a Goiânia, nos dias 28 e 29 de agosto, Caiado disse, em entrevista ao O Popular, que "não tem como controlar a opinião de ninguém". "Acho que cada um tem uma visão, tá certo? A interpretação dele é a dele, e a minha é a minha. Cada um tem uma maneira de pensar a maneira de combater o vírus."

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