Carlos Bolsonaro é alvo de operação da PF
Polícia investiga se família Bolsonaro usou a Abin para fazer espionagem contra desafetos políticos.

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira (29) operação para investigar o envolvimento da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em atividades de espionagem ilegal durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Um dos alvos da operação é o vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão na residência de Carlos Bolsonaro e também na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde ele exerce o mandato. Além dele, assessores ligados à Abin também foram alvos da operação.
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que na última quinta-feira (25), afirmou que o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, usou o órgão para fazer espionagem a favor da família Bolsonaro. Ramagem, que é deputado federal pelo PL-RJ, também é alvo da operação.
De acordo com Moraes, a Abin monitorou ilegalmente diversas autoridades e pessoas que eram consideradas inimigas ou adversárias políticas do ex-presidente Bolsonaro.
Entre elas, estavam a ex-deputada Joice Hasselmann, que rompeu com o governo após denunciar a existência de um gabinete do ódio nas redes sociais, o ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT), que foi um dos principais críticos da gestão da pandemia pelo governo federal, e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, que travou uma guerra com Bolsonaro pelo comando do Congresso.
A PF apura se a Abin foi “instrumentalizada” para atender aos interesses pessoais e políticos de Bolsonaro e de seus filhos, em detrimento da segurança nacional e do interesse público. A operação faz parte do inquérito que investiga a interferência de Bolsonaro na PF, que foi aberto após a demissão do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, em abril de 2020.
Na ocasião, Moro acusou Bolsonaro de tentar interferir na autonomia da PF e de querer trocar o diretor-geral do órgão por alguém de sua confiança. O nome indicado por Bolsonaro era justamente o de Ramagem, que era amigo da família e havia sido diretor da Abin. A nomeação de Ramagem, porém, foi barrada pelo STF, que viu indícios de desvio de finalidade.

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