CCJ não abre por falta de vereadores, projetos ficam "travados" e base é cobrada; veja vídeo
Sem quórum mais uma vez, sessão da CCJ é cancelada e vereadores disparam: “minoria está mandando na maioria” e “prefeito precisa pôr a mão na mesa

A manhã desta quarta-feira (6) foi marcada por bate-boca, cobranças e clima de revolta na Câmara de Goiânia. Pela segunda vez, a sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) não foi aberta por falta de quórum — ou seja, vereadores suficientes para iniciar os trabalhos. O episódio expôs "cobranças" na base aliada e travou projetos considerados urgentes para a cidade.
O impasse começou cedo. Segundo o vereador Pedro Azulão, ele chegou à Casa antes das 8h, mas novamente não havia número suficiente de parlamentares para iniciar a reunião. Irritado, ele criticou diretamente colegas da base e apontou falhas na articulação política.
Azulão afirmou que não pretende “servir de trampolim para ninguém” e cobrou compromisso dos vereadores governistas, destacando que a base é numericamente maior que a oposição, mas não tem conseguido garantir presença nas comissões. Ele ainda criticou problemas na liberação de acesso remoto para participação online, citando atraso no envio de links e defendendo a decisão de encerrar a sessão por parte de William Veloso.
"Então eu quero aqui chamar a atenção à base que é maior do que a oposição, e o prefeito está precisando dos vereadores para aprovar os projetos de interesse da prefeitura e da população. Então eu não vou ficar aqui servindo de trampolim para ninguém, e eu não vou pedir para ninguém vir trabalhar, porque cada um tem suas obrigações e eu respeito, mas vem cá, nós não podemos aceitar a minoria mandar na maioria. E hoje, mais uma vez, por falta de corum, nós não abrimos a CCJ", cobrou Pedro Azulão.
A crítica foi reforçada pelo vereador Anselmo Pereira, que classificou a situação como incompreensível. Ele lembrou que o regimento permite participação virtual desde a pandemia e questionou por que a sessão não foi aberta mesmo com possibilidade de acesso online. Segundo ele, projetos importantes estão parados desde março, incluindo iniciativas voltadas à saúde e programas sociais que impactam diretamente bairros da capital.
Anselmo também alertou para prejuízos à população, afirmando que a paralisação impede desde reformas em unidades de saúde até a execução de políticas sociais básicas. Para ele, o problema não é político, mas de funcionamento do Legislativo.
"Qual é o problema de se abrir uma sessão e fornecer o link previamente para os demais? Está no regimento interno da casa as participações online. Não é proibido, depois do advento da Covid, da pandemia, virou lei, você pode participar. Não entendo. Vejo que tem projetos de extrema importância: “Volta para o centro”, o Pafus, que é importantíssimo para cada posto de saúde dos senhores em cada bairro. (...) Existe uma série de artifícios que podem ser usados quando até você quer procrastinar da diligência, da vistas, mas deixa andar as coisas. E essa questão já está regimental. Presencialmente, online está na lei. E a vossa excelência tem razão”, completou Anselmo Pereira.
Na sequência, o vereador Tião Peixoto elevou o tom ao cobrar diretamente o prefeito. Ele afirmou que a base governista está enfraquecida e que falta articulação política. Em comparação com gestões anteriores, citou que vereadores precisam de mais proximidade e atenção para se manterem engajados.
"Se o prefeito tem 25 na base, eu acho que ele não tem 20. Ele está perdendo aqui na Casa. Eu falei, prefeito, sr. tem que dar mais carinho para o vereador, o vereador não quer cargos, quer amizade, lealdade, como o Íris fazia. O Íris prefeito pegava o vereador, visitava as obras com o vereador, falava, você quer mais alguma coisa, assim, assim, assim. E eu falei para ele, se ele não começar a dar carinho, amor, o vereador não vai levantar cedo e ir para as comissões. Ele tem uns 25 nele, leal, amizade, amor, carinho. Eu gosto do prefeito, eu gosto dele de graça, porque ele é um bom prefeito e trabalha pelo povo. O Azulim está certo", declarou o vereador Tião Peixoto.
Apesar das críticas, o próprio Anselmo ponderou que o prefeito enfrenta uma série de dificuldades administrativas e que também cabe aos vereadores colaborar para superar os gargalos da cidade.
“Vereador, o nosso prefeito, não sei se vocês sabem, ele é muito sobrecarregado também com tantos problemas. Ele precisa reordenar a cidade. É um homem também, Zeloso, eu tenho certeza que ele vai melhorando cada dia mais o trato com os nossos vereadores, até porque ele é muito atencioso. Todo segunda-feira recebe os vereadores e uma série de injunções. Cabe a nós, né, Azulim, também darmos uma ajuda a ele, porque ele tem aí uma série de gargalos. Estavam estrangulados. Não só do mandato passado, mas de outros mandatos”, respondeu Anselmo Pereira.
Responsável por encerrar a sessão, o vereador William Veloso justificou a decisão com base no regimento interno. Ele afirmou que aguardou além do tempo previsto, mas não houve quórum suficiente, nem presencial nem virtual. Veloso também informou que pediu apuração sobre possíveis falhas no envio de links para participação online.
O vereador ainda ressaltou que há projetos relevantes aguardando análise e reforçou que sua atuação não é de obstrução, desde que as propostas sejam benéficas para Goiânia.
“Na semana passada eu sabia que eu ia presidir a CCJ, os projetos que foram solicitados inclusão, os projetos do Paço, nós votamos a maioria a maioria votou pela inclusão e nós votamos na CCJ, inclusive é o Pafus que está em andamento. Agora hoje, primeiro eu fui surpreendido que eu não sabia que eu ia assumir a presidência, segundo que não ouve quórum eu esperei até mais cinco minutos além do que o regimento determina, então já pedi informações para saber quem está responsável pelo envio desses links e se eventualmente houve algum tipo de retardo no envio dos mesmos. Eu ressalto mais uma vez, projetos importantes para a nossa cidade, a base tem que se fazer presente, fisicamente, porque daí nós não teríamos essa intercorrência”, concluiu vereador William Veloso.
Enquanto isso, a consequência prática é imediata: propostas seguem travadas, a insatisfação cresce dentro da própria base e o funcionamento da Câmara entra em xeque — com vereadores cobrando, em alto e bom som, uma reação urgente para evitar novos episódios de paralisia.
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