Deputados de Goiás luxam com carros mais caros que os de ministros de Tribunal Superior
Deputados goianos receberam 42 Toyota SW4 a R$ 372,8 mil cada, enquanto ministros do TST ganharam sedãs Lexus de R$ 346,5 mil

Quando o assunto é gastar com carro oficial, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) conseguiu superar até o Tribunal Superior do Trabalho (TST). Enquanto os ministros da Corte trabalhista receberam sedãs de luxo Lexus ES 300H — avaliados em R$ 346,5 mil cada —, os deputados estaduais goianos se presentearam com SUVs Toyota SW4, modelo top de linha, ao custo unitário de R$ 372,8 mil, já com seguro incluso.
No TST, foram comprados 30 Lexus híbridos, que combinam motor a combustão 2.5 e elétrico, entregando 211 cavalos de potência. O gasto total foi de R$ 10,39 milhões, para atender 27 ministros — a compra foi ampliada em três unidades.
Na Alego, o gasto foi ainda maior: R$ 15,8 milhões para renovar a frota com 42 SUVs, entregues na última quinta-feira (10). O detalhe é que o mimo para os deputados veio menos de dois anos após a Casa já ter desembolsado milhões em 47 caminhonetes Ford Ranger Storm (R$ 227 mil cada) e 75 sedãs Fiat Cronos. Com isso, a frota oficial chegou a 164 veículos.
Carros “apertados” e “economia” questionável
A justificativa para a nova compra foi de que os veículos anteriores eram “apertados” e não comportavam assessores e seguranças. O pedido foi feito em outubro e aprovado rapidamente pelo presidente da Casa, deputado Bruno Peixoto (UB), por meio de pregão eletrônico em fevereiro.
Peixoto defendeu a compra dizendo que a medida substitui o aluguel de veículos, que custava R$ 400 mil por mês, e que, em cinco anos, representaria R$ 24 milhões. Na prática, porém, a Alego já gastou quase esse valor em menos de dois anos, comprando três frotas diferentes — e ainda com parte dos carros anteriores em uso.
Agora, a Casa promete doar até 40 dos veículos antigos para prefeituras do interior, sob critérios como municípios com menos de 6,5 mil habitantes e distantes mais de 90 km da capital. Mesmo assim, os custos de manutenção e seguro ficarão para os cofres municipais.
TST também foi alvo de críticas
No caso do TST, além do gasto com os Lexus, a Corte foi criticada na semana passada após a revelação da contratação de uma sala VIP no aeroporto de Brasília, ao custo de R$ 1,5 milhão por dois anos. O tribunal, que desde 2022 se apresenta como “o tribunal da Justiça Social”, ainda não explicou por que aumentou a compra de carros de 27 para 30 unidades.

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