Flávio negociou com Vorcaro repasse de R$ 134 milhões para bancar filme de Bolsonaro
Vorcaro já teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações financeiras ligadas à produção do longa.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, teria solicitado ao empresário Daniel Vorcaro um total de R$ 134 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil.
Segundo a reportagem, Vorcaro já teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações financeiras ligadas à produção do longa. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões, embora não haja confirmação de que todo o montante tenha sido efetivamente repassado.
Conversas e áudios
Diálogos e áudios obtidos pelo Intercept mostram conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro sobre os pagamentos relacionados ao filme. Em uma das mensagens, enviada em novembro de 2025, um dia antes da prisão do empresário na Operação Compliance Zero, Flávio chama Vorcaro de “irmão” e reforça apoio ao banqueiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”, afirmou o senador em um trecho divulgado pela reportagem.
Em outro áudio, datado de setembro de 2025, Flávio demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos da produção e afirma temer impactos negativos para o projeto cinematográfico.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso”, disse.
O senador ainda cita possíveis prejuízos de imagem caso atores internacionais ligados ao projeto deixassem de receber pagamentos.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos do cinema americano, mundial. Ia ser muito ruim”, afirmou.
Intermediários
De acordo com o Intercept Brasil, parte dos recursos teria sido transferida pela empresa Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo seria controlado por aliados do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro.
A reportagem também aponta que Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mário Frias, ex-secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro, teriam atuado como intermediários nas negociações.
Além deles, o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel também seriam citados nas tratativas envolvendo o financiamento do filme.
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, pagamento de propina e lobby envolvendo setores político, econômico e de mídia. Segundo o Intercept, o empresário acompanhava pessoalmente o cronograma de pagamentos do filme e cobrava prioridade para os repasses ligados ao projeto.
Até o momento, Flávio Bolsonaro e sua assessoria não haviam se manifestado oficialmente sobre o conteúdo divulgado.
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