UB e PP devem oficializar federação na terça e podem selar divórcio com governo Lula
O governador Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência da República, e ACM Neto pressionam pela saída imediata

Os partidos União Brasil e Progressistas se reúnem nesta terça-feira (19), em Brasília, para oficializar a federação batizada de União Progressista. O encontro vai aprovar o estatuto da nova sigla e discutir um ponto espinhoso: a permanência ou não das legendas no governo Lula (PT).
Desde o anúncio da união, em abril, lideranças das duas siglas defendem o desembarque imediato da gestão petista. À época, o então vice-presidente do União Brasil, Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto, disse que a saída deveria ocorrer logo após a formalização da federação.
A pressão ganhou corpo dentro da bancada. O deputado José Nelto (União Brasil) considera a reunião desta terça um “ultimato” aos ministros filiados ou indicados pelas legendas. O governador Ronaldo Caiado (União Brasil), pré-candidato ao Palácio do Planalto, também reforça o coro pela ruptura. Já o deputado Dr. Zacharias Calil (União Brasil) vai além e classifica como “antiético” manter cargos no governo enquanto o partido prepara candidatura presidencial.
Atualmente, o União Brasil controla três ministérios: Comunicação, Integração e Desenvolvimento Regional, e Turismo. Os dois primeiros são comandados por Waldez Góes e Frederico Siqueira, nomes ligados ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas sem filiação partidária. O Turismo é chefiado por Celso Sabino (União Brasil-PA).
O Progressistas, por sua vez, ocupa apenas o Ministério do Esporte, com André Fufuca (MA), cuja permanência é rejeitada pela maioria da bancada.
Nos bastidores, as direções já dão sinais de afastamento do governo. O ex-ministro Ciro Nogueira (Progressistas) e Antônio Rueda (União Brasil), que devem assumir a presidência da federação, declararam que não pretendem apoiar a reeleição de Lula em 2026.
Nogueira defende a entrega imediata dos cargos, enquanto Rueda acusa Lula de “instigar” o tarifaço ao apostar no fortalecimento comercial da cúpula dos Brics.
Apesar da movimentação política, a federação ainda precisa de homologação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Somente após o registro, analisado por um ministro e depois julgado pelo plenário, a União Progressista terá validade jurídica para disputar eleições, acessar recursos do Fundo Partidário e ser incluída nos sistemas oficiais.

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