Facção ligada ao PCC movimentou milhões e tem 57 denunciados em Goiás
De acordo com o MPGO, a estrutura da facção era hierarquizada e dividida por núcleos de atuação.

O Ministério Público de Goiás denunciou 57 pessoas suspeitas de integrar a facção criminosa goiana Amigos do Estado (ADE), apontada como vinculada ao Primeiro Comando da Capital. A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Juan Borges de Abreu, da 99ª Promotoria de Justiça de Goiânia, e tem como base as investigações da Operação Corrosão.
Os denunciados respondem por organização criminosa armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, uso de documento falso e obstrução de investigação. De acordo com o MPGO, a estrutura da facção era hierarquizada e dividida por núcleos de atuação.
Entre os apontados como principais líderes estão Pedro Henrique Pascoal dos Santos, conhecido como “Maresia”, Nilsomar Danilo Gomes, o “Tenebroso”, e John Kley Pascoal de Souza, chamado de “Bozo” ou “Nego Bozo”. Segundo a denúncia, “Maresia” comandava a distribuição de drogas em Goiás, definia funções entre os integrantes e articulava a lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada. Já “Tenebroso” atuava a partir do sistema prisional, mantendo negociações de entorpecentes e coordenando repasses aos demais membros.
Esquema financeiro milionário
As investigações identificaram um núcleo financeiro responsável por movimentar mais de R$ 14 milhões entre julho de 2023 e maio de 2024, em mais de três mil transações bancárias. Para ocultar a origem ilícita dos recursos, o grupo utilizava empresas de fachada.
Uma delas, a Souza Serviços Administrativos Ltda., com nome fantasia “Dr. Exame Araguaína”, movimentou mais de R$ 25 milhões em apenas dois meses. Conforme o MPGO, Carlos Alberto Francisco de Souza e César Pablo da Mota teriam falsificado documentos para assumir formalmente a empresa e administrá-la com a finalidade de lavar dinheiro do tráfico. Outras empresas também foram usadas no esquema, como a R. da S Pinto Ltda. e a Evolution Informática.
Apreensões e flagrantes
A denúncia descreve diversas apreensões de drogas durante o curso das investigações. Em um dos flagrantes, foram recolhidos mais de 14 quilos de pasta base de cocaína e cerca de 20 quilos de maconha, além de grandes quantias em dinheiro.
Segundo o MPGO, Maxsuel Alves da Silva, ligado aos líderes da facção, foi flagrado mantendo os entorpecentes sob a guarda de sua companheira, Isy Monique Ramos Pinheiro. As drogas estavam identificadas com o selo do Leão, símbolo utilizado pela organização. Em outro episódio, Anderson Anselmo Vieira, conhecido como “Sorriso”, foi encontrado com R$ 234 mil em espécie, valor que teria sido reconhecido por “Maresia” como proveniente das atividades criminosas.
Prisão no exterior e pedidos do MP
A principal operadora financeira da facção, Francielly Coelho de Paiva, estava foragida e foi localizada na Europa. Ela acabou presa pela Interpol em Portugal e deportada ao Brasil, em cumprimento a mandados de prisão preventiva expedidos nas operações Corrosão e Portokali.
O MPGO pediu a manutenção das prisões preventivas dos acusados já detidos e a decretação de novas prisões para outros investigados, sob o argumento de que as medidas são necessárias para garantir a ordem pública e interromper as atividades da organização criminosa. Também foi solicitado o sequestro e a alienação antecipada de veículos apreendidos, com o objetivo de preservar o valor dos bens e assegurar o confisco do patrimônio obtido de forma ilegal.
Além disso, o Ministério Público requereu a condenação dos 57 denunciados e a fixação de indenização mínima de R$ 100 milhões por danos morais coletivos. A denúncia foi encaminhada à Segunda Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa e Lavagem de Bens da Comarca de Goiânia.
O caso é resultado da Operação Corrosão, deflagrada a partir de investigações da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, e também se apoia em provas colhidas nas operações Ferrolho, já sentenciada, e Portokali, conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas (Draco).

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