A Secretaria Municipal de Educação de Goianésia e o secretário da pasta, Noé Raimundo de Araújo, foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) na manhã desta terça-feira (11), durante uma operação que investiga uma suposta organização criminosa especializada em fraudar licitações e contratações públicas. Além de Goianésia, outras 13 cidades goianas e dois municípios paulistas também foram atingidos pelas medidas judiciais.
Após a ação, Noé Raimundo divulgou um vídeo para explicar por que o município aparece entre os investigados. Segundo ele, a prefeitura adquiriu, no ano passado, salas modulares de uma das empresas que estão no centro da investigação para ampliar o número de vagas nas creches da cidade.
"As nossas famílias goianesienses, que tanto dependem das creches, e, no ano passado, nós adquirimos essas salas visando aumentar o número de vagas para as nossas crianças. Infelizmente, compramos de uma empresa que está sendo alvo dessa investigação. Goianésia também entrou nesse alvo, assim como acontece em todos os municípios onde essa empresa vendeu essas salas", afirmou.
O secretário ressaltou que recebeu normalmente os agentes do Ministério Público e disse que a prefeitura está colaborando com as investigações. Para ilustrar a situação, ele fez uma comparação.
"É como se você comprasse um carro e depois descobrisse que esse veículo tivesse alguma restrição. O produto que compramos atende a comunidade dentro das creches, mas a empresa está passando por essa investigação. Estamos à disposição para prestar todos os esclarecimentos", declarou.
A operação do MP-GO cumpriu três mandados de prisão preventiva, quatro afastamentos de cargos públicos e 44 mandados de busca e apreensão, todos autorizados pelo 1º Juízo das Garantias da Comarca de Goiânia. As ações ocorreram em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Rio Verde, Itumbiara, Itaberaí, Goianira, Inhumas, Abadia de Goiás, Rio Quente, Uruaçu, Luziânia, Alexânia e Goianésia, além das cidades de São Paulo e Ribeirão Preto, no estado paulista.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam R$ 40 mil em dinheiro em um dos endereços vistoriados. Em outro local, foram encontrados R$ 26 mil e 2 mil euros em espécie.
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Segundo o Ministério Público, o esquema investigado envolve um grupo empresarial sediado em Goiás que, por meio de diversas empresas, teria fraudado a fase interna de licitações destinadas ao fornecimento, montagem e instalação de ambientes modulares, principalmente para escolas municipais e unidades da assistência social.
Ainda conforme as investigações, a empresa beneficiada pelo suposto esquema recebeu mais de R$ 88,3 milhões em pagamentos de órgãos públicos estaduais e municipais entre 2015 e 2025. O MP estima que o prejuízo aos cofres públicos em Goiás e São Paulo possa chegar a R$ 14 milhões. Além dos empresários, a investigação também mira gestores e servidores públicos suspeitos de facilitar ou direcionar contratações em favor da empresa, com possível fraude ao caráter competitivo das licitações.