Três são condenados em investigação que começou após denúncia do presidente do Vila Nova
As investigações começaram no final de 2022, quando o volante Romário, do Vila Nova, aceitou uma oferta de R$ 150 mil para cometer um pênalti.

A Justiça de Goiás condenou, no último domingo (3), três réus envolvidos em um esquema de manipulação de resultados em partidas de futebol profissional, investigado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) por meio da Operação Penalidade Máxima. A investigação revelou a atuação de uma organização criminosa que manipulou ao menos 12 partidas oficiais, entre 2022 e 2023, com o objetivo de obter lucros ilegais por meio de apostas esportivas.
As investigações começaram no final de 2022, quando o volante Romário, do Vila Nova, aceitou uma oferta de R$ 150 mil para cometer um pênalti no jogo contra o Sport, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Romário recebeu um sinal de R$ 10 mil, e só teria os outros R$ 140 mil após a partida, com o pênalti cometido. À época, o presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, que também é policial militar, investigou o caso e entregou as provas ao MP-GO.
O Ministério Público ainda requer indenização adicional por danos morais coletivos no valor de R$ 3.799.918,28. As partidas manipuladas aconteceram principalmente durante a Série A do Campeonato Brasileiro de 2022, além de um jogo do Campeonato Gaúcho de 2023. As datas e partidas citadas nas denúncias são:
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Série A 2022:
• Avaí x Athletico-PR (11/09 – 26ª rodada)
• Avaí x Fluminense (16/10 – 32ª rodada)
• Cuiabá x Ceará (16/10 – 32ª rodada)
• Cuiabá x Avaí (27/10 – 34ª rodada)
• Santos x Avaí, Red Bull Bragantino x América-MG, Goiás x Juventude (05/11 – 36ª rodada)
• Palmeiras x Cuiabá (06/11 – 36ª rodada)
• Fluminense x Goiás (09/11), Botafogo x Santos, Atlético-MG x Cuiabá (10/11 – 37ª rodada) -
Campeonato Gaúcho 2023:
• Esportivo de Bento Gonçalves x Novo Hamburgo (11/02)
Operadores e financiadores do esquema
A sentença condenatória foi a primeira resultante das ações penais da Operação Penalidade Máxima, deflagrada em fevereiro de 2023. Os réus Romário Hugo dos Santos (conhecido como Romarinho), Thiago Chambó Andrade e Bruno Lopez de Moura foram considerados culpados por integrar a organização criminosa que arquitetou o esquema.
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Romarinho, ex-jogador, foi condenado a 22 anos e 10 meses de reclusão, além de multa. Ele era apontado como financiador, aliciador de jogadores e responsável por repassar pagamentos aos atletas envolvidos.
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Thiago Chambó Andrade, identificado como um dos líderes intelectuais e principal operador financeiro do grupo, recebeu pena de 5 anos e 9 meses de prisão, em regime semiaberto.
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Bruno Lopez de Moura, mesmo tendo firmado acordo de colaboração premiada, foi condenado a 19 anos de reclusão. A pena original era de 39 anos, mas foi reduzida por conta do acordo, embora o juiz tenha considerado sua colaboração secundária.
As investigações mostraram que o grupo manipulava eventos como pênaltis, cartões e até resultados inteiros, visando lucros em plataformas de apostas esportivas. As provas reunidas incluem interceptações telefônicas, quebras de sigilo bancário e telemático, além de mensagens extraídas de celulares e relatórios financeiros.
Organização criminosa estruturada
De acordo com a sentença, proferida pelo juiz Alessandro Pereira Pacheco, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, a estrutura da organização era dividida em núcleos — liderança, intermediação e execução — e operava de forma contínua e coordenada, caracterizando os requisitos legais da Lei nº 12.850/2013 sobre organizações criminosas.
Além das penas privativas de liberdade, os condenados deverão pagar, solidariamente, R$ 2 milhões por danos morais coletivos. Eles também estão proibidos de manter contato com outros denunciados e de deixar o País. Apesar das condenações, os réus poderão recorrer em liberdade.
Nova etapa amplia denúncias
Na quarta fase da Operação Penalidade Máxima, o MPGO apresentou cinco novas denúncias criminais, envolvendo 23 acusados. O levantamento revela:
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5 respondem por organização criminosa
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16 por corrupção ativa em âmbito esportivo
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5 por corrupção passiva em âmbito esportivo
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2 também por lavagem de dinheiro

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